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Novo líder supremo do Irã convoca união islâmica contra EUA e Israel em discurso durante a Hajj
Sayyid Mojtaba Khamenei defende nova ordem no Oriente Médio sem presença militar norte-americana e com o fim do Estado de Israel

O novo líder supremo do Irã, Sayyid Mojtaba Khamenei, convocou os países islâmicos a se unirem em torno de Teerã para estabelecer uma nova configuração política e militar no Oriente Médio. Em discurso divulgado durante a Hajj — peregrinação sagrada realizada por muçulmanos em Meca —, o iraniano afirmou que a região deve expulsar a influência dos Estados Unidos e encerrar a existência do Estado de Israel.
A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão regional e às negociações diplomáticas entre Irã e EUA sobre um possível acordo envolvendo segurança e estabilidade no Oriente Médio.
Discurso durante peregrinação sagrada
Na mensagem direcionada aos peregrinos iranianos, Khamenei afirmou que o mundo islâmico possui interesses comuns capazes de redefinir o futuro regional. O líder pediu que os participantes da Hajj levem adiante a narrativa de “vitória” do Irã diante das pressões exercidas por Washington e Tel-Aviv.
Segundo ele, os países da região não aceitarão mais bases militares norte-americanas em seus territórios. Khamenei também declarou que os Estados Unidos estariam perdendo influência geopolítica no Oriente Médio e não encontrariam mais “refúgios seguros” para suas operações militares.
O pronunciamento reforça a postura histórica do regime iraniano contra Israel e contra a presença militar americana na região.
Irã admite avanço em negociações com os EUA
Enquanto o discurso político endurece, integrantes do governo iraniano sinalizam avanço nas conversas diplomáticas com Washington.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã já alcançou “entendimentos sobre uma grande parte das questões discutidas” nas negociações com os Estados Unidos.
Apesar disso, o diplomata negou que exista um acordo iminente para encerrar o conflito regional. Segundo Baghaei, o governo iraniano está concentrado em proteger os interesses nacionais do país e não pretende reagir a todas as declarações feitas por autoridades americanas nas redes sociais.
“Temos assuntos muito mais importantes”, declarou o porta-voz, segundo trechos divulgados pela agência estatal Fars.
Baghaei ainda afirmou que o Irã manterá uma postura própria diante dos adversários internacionais. “Como uma nação civilizada e forte, responderemos ao inimigo quando necessário”, disse.
Trump quer ampliar Acordos de Abraão e incluir o Irã
Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou que pretende transformar um eventual acordo com Teerã em uma ampla reconfiguração diplomática do Oriente Médio.
Em publicação na rede Truth Social, Trump defendeu que todos os países envolvidos nas negociações assinem simultaneamente os chamados Acordos de Abraão, iniciativa que normalizou as relações de Israel com países árabes.
Segundo o presidente americano, a proposta foi direcionada principalmente à Arábia Saudita, Catar, Turquia e Paquistão.
Trump surpreendeu ao cogitar até mesmo uma futura adesão do próprio Irã ao pacto diplomático, apesar da histórica rivalidade entre Teerã, Israel e Washington.
“Eles se sentiriam honrados em ter a República Islâmica do Irã como parte dos Acordos de Abraão”, afirmou o presidente norte-americano.
Israel evita comentar proposta americana
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não comentou as declarações de Trump. Os governos citados pelo presidente dos EUA também evitaram manifestações públicas sobre a proposta.
Trump reconheceu que alguns países poderiam resistir à adesão, mas declarou acreditar que a maioria estaria disposta a transformar o entendimento com o Irã em um marco diplomático ainda maior para a região.
O que são os Acordos de Abraão
Firmados em setembro de 2020 com mediação dos Estados Unidos, os Acordos de Abraão estabeleceram relações diplomáticas entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
O acordo marcou a primeira normalização diplomática de Israel com uma nação árabe desde o tratado de paz firmado com a Jordânia, em 1994.
Meses depois, Israel e o Sudão também anunciaram a abertura de relações diplomáticas, ampliando o alcance do pacto no mundo islâmico.