Estamos nas Redes

Mundo

Cidade ocupada pela Rússia enfrenta crise humanitária e ameaça de fome na Ucrânia

Publicado

on

Oleshky, na margem leste do rio Dnipro, mantém entre 2 mil e 4 mil moradores em meio à escassez de alimentos, medicamentos, água e energia.

Foto: Reprodução

A falta de alimentos, medicamentos, água e energia transformou a rotina dos moradores que ainda permanecem em Oleshky, cidade da região de Kherson ocupada pela Rússia. Segundo informações citadas pelo jornal alemão Bild, entre 2 mil e 4 mil pessoas continuam no município, que antes da guerra tinha aproximadamente 24 mil habitantes.

Escassez atinge alimentação e atendimento médico

A última entrega de alimentos considerada bem-sucedida ocorreu em 26 de maio. Desde então, moradores passaram a depender de alternativas improvisadas para conseguir comida. Durante o verão europeu, hortas ajudaram algumas famílias a atravessar o período, mas a chegada do outono elevou a preocupação com a falta de alimentos.

A situação também alcança o atendimento de saúde. Conforme os relatos reunidos pelo Bild, o hospital local enfrenta falta de suprimentos básicos, água encanada e fornecimento regular de eletricidade. Apenas quatro médicos continuariam trabalhando na unidade, enquanto as ambulâncias deixaram de circular diante do risco de ataques de drones.

Saída da cidade ocorre sob risco

Para quem tenta deixar Oleshky, o deslocamento também representa uma ameaça. Uma das rotas utilizadas segue em direção ao vilarejo de Radensk por áreas com minas e exposição a ataques de drones. Stefan Vorontsov, coordenador de voluntários da organização Humanity, relatou que parte do percurso precisa ser feita a pé e pode levar entre cinco e seis horas.

As autoridades ucranianas prepararam uma operação de evacuação humanitária, mas afirmam que a Rússia continua impedindo a retirada de civis. Oleshky fica na margem leste do rio Dnipro, em frente à cidade de Kherson, retomada pela Ucrânia em novembro de 2022.

Relatos apontam agravamento da fome

A situação alimentar também foi destacada pelo Museu do Holodomor da Ucrânia em 16 de setembro. Segundo a instituição, moradores chegaram a recorrer a faisões, pombos e outros substitutos alimentares diante da escassez.

Relatos citados pelo Bild e pelo Daily Mail afirmam ainda que corpos permanecem sem sepultamento depois que o necrotério local foi atingido por bombardeios.

O cenário é agravado pelo isolamento da cidade, pelas estradas minadas e pelos ataques de drones e artilharia, que dificultam tanto a chegada de suprimentos quanto a saída dos moradores.