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Anistia Internacional acusa Irã de crimes contra a humanidade durante repressão a protestos
Relatório baseado em entrevistas, vídeos e documentos pede investigação de 87 autoridades iranianas e ação da ONU sobre os crimes atribuídos à repressão.

A Anistia Internacional apresentou um relatório que aponta possíveis crimes contra a humanidade cometidos durante a repressão aos protestos no Irã desencadeados pela morte de Mahsa Amini. A organização pede a investigação de 87 autoridades iranianas e defende a criação de um mecanismo internacional de Justiça Penal para apurar as responsabilidades.
O documento foi elaborado ao longo de quatro anos e reúne 270 entrevistas, realizadas com manifestantes, familiares de vítimas, testemunhas, jornalistas e ex-detentos. A investigação também considerou milhares de vídeos, declarações de autoridades e documentos que foram vazados.
Entre os crimes que a entidade classifica como possíveis crimes contra a humanidade estão homicídios, tortura, desaparecimentos forçados, estupros e perseguições motivadas por questões políticas, de gênero, étnicas ou religiosas. Segundo grupos de direitos humanos citados no material, mais de 500 pessoas, incluindo 71 menores de idade, morreram durante os protestos, enquanto centenas ficaram feridas e milhares foram presas.
O caso que desencadeou a onda de manifestações foi a morte de Mahsa Amini, mulher curda de 22 anos detida pela polícia da moralidade iraniana sob acusação de desrespeitar o código de vestimenta obrigatório da República Islâmica. A morte provocou meses de protestos, com participação destacada de mulheres e jovens e manifestações contra o governo e o sistema de poder comandado pelo clero xiita há mais de quatro décadas.
Para a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, a responsabilidade pelos episódios não deveria ser atribuída somente a agentes individuais. Segundo a organização, os acontecimentos apontados no relatório estariam relacionados a um “sistema institucionalizado”.
Com base no material reunido, a Anistia solicita que a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleça um mecanismo internacional de Justiça Penal para tratar dos crimes atribuídos às autoridades iranianas durante a repressão.
