Polícia
Caso Benício: proprietários do Hospital Santa Júlia prestam depoimento à Polícia Civil
Investigação apura possível responsabilidade institucional após menino de 6 anos morrer por uso de doses elevadas de adrenalina

Os proprietários e representantes da administração do Hospital Santa Júlia compareceram, nesta quarta-feira (17), à sede do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em Manaus, para prestar depoimento no inquérito que investiga a morte de Benício Xavier, de 6 anos. O caso, que causou forte comoção, envolve a aplicação de doses elevadas de adrenalina durante o atendimento médico da criança.
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, o trabalho policial vai além da apuração de um possível erro individual. O inquérito busca identificar se houve falhas institucionais por parte do hospital, incluindo a análise da estrutura organizacional, do funcionamento dos protocolos de segurança e do sistema de prescrição e controle de medicamentos.
O fundador da unidade hospitalar, Edson Sarkis, conversou com a imprensa e defendeu os padrões adotados pelo Hospital Santa Júlia. Ele destacou que a instituição possui certificações da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com níveis que, de acordo com ele, seguem parâmetros internacionais voltados à segurança do paciente e à gestão hospitalar.
Sarkis afirmou que existem protocolos internos de segurança e mecanismos de dupla checagem para a administração de medicamentos. Segundo ele, no momento do atendimento, havia profissionais designados para esse tipo de controle, incluindo enfermeiras e uma farmacêutica, que não teriam sido acionadas conforme o previsto.
Em tom emocionado, o fundador disse que sua maior preocupação é com o sofrimento da família da criança. Ele declarou que se solidariza com os pais de Benício e afirmou que o hospital está disposto a reparar o que for necessário diante do ocorrido.
Além de Edson Sarkis, também prestaram depoimento na unidade policial Edson Sarkis Júnior e Júlia Sarkis, ambos integrantes da administração do hospital.
A investigação segue em fase de instrução, e novas perícias devem ser realizadas. O objetivo é confrontar os depoimentos colhidos com os registros e dados do sistema hospitalar para esclarecer as circunstâncias da morte da criança.