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Impasse em Washington aumenta risco de paralisação do governo dos EUA
Reunião na Casa Branca evidencia distanciamento entre democratas e republicanos a menos de 48 horas do prazo final para evitar o shutdown

A possibilidade de um fechamento do governo federal dos Estados Unidos ganhou força nesta segunda-feira (29), após uma reunião entre lideranças do Congresso e o presidente Donald Trump terminar sem sinal de avanço. O encontro, realizado na Casa Branca, tinha como objetivo destravar as negociações sobre o financiamento do governo, cujo prazo expira em menos de dois dias.
O vice-presidente JD Vance deixou a reunião prevendo um desfecho negativo. “Acho que estamos caminhando para uma paralisação porque os democratas não querem fazer a coisa certa”, declarou aos repórteres.
Do outro lado, os principais nomes democratas no Congresso — Hakeem Jeffries, líder da minoria na Câmara, e Chuck Schumer, líder da minoria no Senado — reconheceram que a conversa teve momentos construtivos, mas reforçaram que os dois partidos continuam distantes de um acordo. “Temos diferenças muito grandes”, afirmou Schumer, acrescentando que Trump parece ter ouvido suas objeções “pela primeira vez”.
As trocas de acusações seguiram mesmo após o encontro. Schumer afirmou que cabe aos republicanos decidir se haverá paralisação. Já o líder da maioria no Senado, John Thune (R-Dakota do Sul), acusou os democratas de “tomar o processo como refém” ao insistirem em incluir exigências adicionais na proposta.
Os republicanos, que controlam a Casa Branca e têm maioria apertada nas duas casas do Congresso, defendem a aprovação de uma resolução provisória para manter os gastos federais nos níveis atuais até o fim de novembro. Os democratas, porém, condicionam o apoio à inclusão de verbas para políticas consideradas essenciais — entre elas, a prorrogação dos créditos fiscais ampliados do Obamacare, que expiram no fim do ano.
Segundo Schumer, os democratas foram excluídos da formulação do texto apresentado pela maioria republicana. “Nunca foi assim que fizemos antes”, criticou.
Tentativas anteriores de aprovar medidas temporárias já fracassaram no Senado. Com 53 cadeiras, os republicanos precisam de pelo menos 60 votos para superar o filibuster e evitar que o governo americano entre em paralisação — cenário que, neste momento, parece cada vez mais provável.