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Espionagem israelense amplia influência no Irã e reforça credibilidade de alertas aos Estados Unidos
Histórico de infiltração do Mossad e de operações clandestinas fortalece confiança em informações compartilhadas com Washington sobre suposta ameaça contra Donald Trump

O alerta compartilhado por Israel com os Estados Unidos sobre um suposto plano do Irã para assassinar o presidente Donald Trump voltou a destacar a capacidade da inteligência israelense de operar dentro das estruturas do regime iraniano. Ao longo de décadas, Israel desenvolveu uma rede de espionagem e coleta de informações considerada uma das mais eficientes do mundo, resultado de uma combinação entre experiência histórica, tecnologia e operações clandestinas.
A atuação dos serviços de inteligência israelenses tem raízes anteriores à criação do Estado de Israel, em 1948. A perseguição sofrida pelos judeus, principalmente no Leste Europeu a partir do século XVIII, levou ao desenvolvimento de técnicas de falsificação de documentos, criação de redes clandestinas, infiltração e rotas de fuga, habilidades que posteriormente seriam incorporadas às operações de segurança do país.
Durante o período do Mandato Britânico na Palestina, organizações como a Haganá, criada em 1920, passaram a atuar na defesa das comunidades judaicas. Mais tarde surgiu o Palmach, força de elite que deu origem às Forças de Defesa de Israel (FDI). Nesse período, consolidou-se um dos princípios que até hoje orientam as operações israelenses: a obtenção de inteligência detalhada antes de qualquer ação militar.
Com a criação do Mossad, em 1949, esse modelo foi institucionalizado. Anos depois, a Unidade 8200 das FDI ampliou a capacidade israelense nas áreas de guerra cibernética, interceptação de comunicações, análise de grandes volumes de dados e desenvolvimento tecnológico.
Embora não tenham sido divulgados detalhes sobre como Israel obteve informações sobre o suposto plano iraniano contra Trump, especialistas apontam que os dados podem ter sido obtidos por meio de agentes infiltrados, interceptações eletrônicas ou operações conduzidas pelo Mossad.
O histórico de operações atribuídas à inteligência israelense reforça essa avaliação. Em 2018, agentes retiraram de um depósito secreto em Teerã cerca de 50 mil páginas de documentos e milhares de arquivos digitais relacionados ao programa nuclear iraniano.
Ao longo dos últimos anos, diversos cientistas ligados ao desenvolvimento nuclear do Irã também foram mortos em operações atribuídas por serviços de inteligência ocidentais ao Mossad. Entre os casos mais conhecidos está o de Mohsen Fakhrizadeh, assassinado em 2020 em uma ação considerada altamente sofisticada.
Em julho de 2024, a morte de Ismail Haniyeh, líder do grupo terrorista Hamas, em Teerã, chamou atenção pelo elevado nível de infiltração alcançado pelos serviços israelenses. Haniyeh estava hospedado em um complexo administrado pela Guarda Revolucionária Iraniana.
O próprio governo iraniano reconheceu o avanço da infiltração estrangeira. Em novembro de 2024, Ali Larijani, assessor do líder supremo Ali Khamenei, afirmou em entrevista à agência iraniana Isna que o problema da infiltração havia se tornado “muito sério” nos últimos anos.
Nos ataques israelenses iniciados em fevereiro de 2026, Larijani esteve entre as autoridades iranianas mortas. Antes disso, durante a Guerra dos 12 Dias, militares israelenses reconheceram publicamente que agentes do Mossad atuaram dentro do território iraniano para preparar ataques, introduzindo armamentos clandestinamente, posicionando drones explosivos e neutralizando sistemas de defesa aérea antes dos bombardeios.
Cinco dias após o início dos ataques, em 17 de junho de 2025, a Associated Press publicou entrevistas com autoridades da inteligência e das Forças de Defesa de Israel. À agência, a ex-diretora de pesquisas do Mossad, Sima Shine, afirmou que as operações eram resultado de anos de trabalho da inteligência israelense contra o programa nuclear iraniano.
Até mesmo a emissora Al Jazeera, frequentemente crítica às ações de Israel, reconheceu a eficiência da espionagem israelense. Segundo especialistas citados pelo veículo, tornar públicas operações desse tipo também faz parte da estratégia de inteligência, ao enfraquecer a confiança do adversário em seu próprio sistema de segurança e reforçar a credibilidade dos serviços israelenses.
No caso do suposto plano contra Donald Trump, relatos da imprensa internacional indicam que houve divergências dentro do governo norte-americano sobre o grau de confiabilidade da ameaça. Enquanto parte dos integrantes da administração defendia máxima cautela, outros avaliavam que um único relatório de inteligência não era suficiente para confirmar o risco.
Apesar das divergências, o Serviço Secreto dos Estados Unidos, o Escritório Militar da Casa Branca e assessores de segurança nacional decidiram adotar medidas preventivas, incluindo a substituição da aeronave Air Force One utilizada por Trump em seu retorno da Turquia, diante da possibilidade de uma ameaça à segurança do presidente.
