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Avião militar dos EUA em Moscou revela visita secreta do chefe da CIA

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Viagem de John Ratcliffe não foi confirmada oficialmente e ocorre em um momento de escalada das tensões envolvendo a guerra na Ucrânia, a Otan e o conflito no Oriente Médio

Foto: Reprodução / X / @RT_on_X

O diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), John Ratcliffe, desembarcou em Moscou nesta terça-feira (25) para uma viagem que não havia sido anunciada oficialmente. A presença do chefe da inteligência norte-americana na capital russa foi identificada por meio de dados de rastreamento aéreo, que registraram a chegada de um avião militar C-17A Globemaster III, da Força Aérea dos EUA, ao Aeroporto Internacional de Vnukovo.

A movimentação ocorre em um período de forte tensão entre Washington e Moscou, marcado pela continuidade da guerra na Ucrânia e por conflitos envolvendo aliados das duas potências no Oriente Médio.

Kremlin não confirma encontro

A possível presença de Ratcliffe em Moscou não foi confirmada pelos governos dos Estados Unidos ou da Rússia. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse inicialmente que não tinha informações sobre a aeronave norte-americana e afirmou não haver previsão de reuniões com integrantes do governo dos EUA durante esta semana.

Após a identificação de Ratcliffe como passageiro do voo, Peskov não respondeu a novos pedidos de esclarecimento.

Também não houve manifestação oficial do Pentágono, da CIA ou da Força Aérea dos Estados Unidos. A Casa Branca não respondeu às solicitações de informação.

Nas ruas de Moscou, testemunhas relataram ter visto uma carreata diplomática com veículos de placas vermelhas, mas não houve confirmação oficial de que a movimentação estivesse relacionada à chegada do diretor da CIA.

Última viagem de um diretor da CIA ocorreu em 2021

A última visita conhecida de um diretor da CIA à capital russa ocorreu em novembro de 2021. Na ocasião, William Burns esteve em Moscou para alertar o presidente Vladimir Putin sobre as consequências de uma eventual invasão da Ucrânia.

Meses depois, em fevereiro de 2022, a Rússia iniciou a ofensiva militar em larga escala contra o território ucraniano.

Inteligência dos EUA monitora ações russas

A chegada de Ratcliffe também acontece em meio a alertas da inteligência norte-americana sobre possíveis novas ações da Rússia contra países integrantes da Otan.

Segundo relatórios mencionados no contexto da viagem, Vladimir Putin estaria disposto a autorizar operações consideradas mais provocativas contra a aliança militar. Essas ações, classificadas como operações híbridas, teriam como objetivo testar a capacidade de resposta da Otan e do governo do presidente Donald Trump.

Ao mesmo tempo, Rússia e Ucrânia ampliaram ataques de longo alcance. A Ucrânia tem realizado ofensivas contra alvos em território russo, incluindo estruturas ligadas ao setor de energia e instalações comerciais. Moscou, por sua vez, intensificou o uso de drones e mísseis contra Kyiv e outras cidades ucranianas.

CIA já participou de negociações com a Rússia

A agência de inteligência norte-americana também teve participação em negociações envolvendo a libertação de cidadãos detidos pela Rússia.

Em abril de 2025, a CIA ajudou nas tratativas que resultaram na libertação da norte-americana de origem russa Ksenia Karelina. A negociação contou com a atuação pessoal de John Ratcliffe.

Em 2024, a agência participou ainda de um acordo que levou à libertação do jornalista Evan Gershkovich, do Wall Street Journal, e do ex-fuzileiro naval norte-americano Paul Whelan.

Rússia e EUA também divergem sobre o Irã

A movimentação de Ratcliffe ocorre ainda em meio às divergências entre Moscou e Washington sobre o Irã. Teerã é considerado um dos principais aliados da Rússia no Oriente Médio.

De acordo com as informações apresentadas, a Rússia fornece ao governo iraniano dados de inteligência relacionados a ativos militares dos Estados Unidos na região.

Como parte da pressão sobre Teerã, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou novas sanções nesta segunda-feira (24). A medida tem como objetivo atingir a economia iraniana.