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Coreia do Norte rejeita acusação dos EUA sobre roubo bilionário contra a Binance
Governo de Kim Jong-un classificou como “absurda” a atribuição do ataque a hackers norte-coreanos; corretora afirma ter recursos para compensar os clientes prejudicados.

O governo da Coreia do Norte negou, nesta terça-feira (3), qualquer participação no ataque cibernético que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo. A acusação foi feita pelo FBI, que atribuiu a operação a um grupo de hackers ligado ao regime norte-coreano.
A manifestação de Pyongyang ocorreu após as autoridades norte-americanas apontarem o grupo conhecido como TraderTraitor como responsável pelo ataque registrado na quinta-feira (29). O episódio provocou perdas bilionárias no mercado de ativos digitais e colocou novamente a atuação de grupos cibernéticos associados à Coreia do Norte no centro das tensões entre os dois países.
Kim Yo-jong reage à acusação americana
A resposta norte-coreana foi apresentada por Kim Yo-jong, irmã do líder Kim Jong-un e integrante da cúpula do partido governista. Ela classificou as declarações do FBI como uma tentativa de associar o país a crimes cibernéticos internacionais.
Segundo Kim, Washington estaria tentando consolidar a imagem da Coreia do Norte como um Estado responsável por ataques digitais em diferentes partes do mundo.
A dirigente também afirmou que a acusação representa uma provocação política e criticou o que considera uma tentativa dos Estados Unidos de influenciar a opinião pública internacional contra o governo norte-coreano.
Grupo já foi associado a outros ataques milionários
O grupo TraderTraitor, apontado pelo FBI como responsável pelo ataque à Binance, também foi associado a outro grande roubo de criptomoedas.
Em fevereiro de 2025, hackers atribuídos à Coreia do Norte foram responsabilizados pelo desvio de aproximadamente US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit.
O novo episódio amplia a atenção internacional sobre a atuação de grupos especializados em ataques digitais contra plataformas financeiras e empresas do setor de criptomoedas.
Empresas apontam bilhões em perdas ligadas à Coreia do Norte
Levantamentos de empresas especializadas em análise de blockchain indicam um crescimento expressivo dos prejuízos associados a ataques cibernéticos com possível participação norte-coreana.
Estimativas da Elliptic apontam que grupos ligados ao regime teriam roubado US$ 7,6 bilhões em criptomoedas somente em 2026, o maior volume anual já registrado pela empresa.
Já a Chainalysis calcula que 89% das perdas provocadas por ataques hackers envolvendo criptomoedas neste ano tiveram alguma ligação com a Coreia do Norte. Em 2021, essa proporção era de 15%.
A empresa também identificou um aumento significativo no valor médio dos prejuízos por ataque. O montante passou de US$ 50,65 milhões, em 2021, para US$ 185,65 milhões em 2026.
Binance promete ressarcir clientes
Enquanto as acusações provocam repercussão internacional, a Binance informou que retomou os saques e garantiu que os clientes afetados serão compensados.
De acordo com a corretora, aproximadamente US$ 6 bilhões já foram reunidos para cobrir as perdas. Os recursos incluem dinheiro do caixa da própria empresa, um fundo de seguro e reservas destinadas a situações envolvendo falhas de segurança.
A dimensão do incidente chama atenção pelo alcance da plataforma. A Binance possui mais de 335 milhões de usuários em diferentes países e movimenta, em média, US$ 95 bilhões por dia em negociações de ativos digitais e contratos financeiros.
A negativa de Pyongyang mantém o episódio no campo da disputa entre as versões apresentadas pelos governos envolvidos, enquanto o caso reforça as preocupações internacionais com a segurança das operações financeiras no ambiente digital.
