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Confrontos no Sudão aumentam mesmo com cessar-fogo declarado

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Foto: Reprodução

As duas forças militares e paramilitares que se têm confrontado no Sudão concordaram, na noite de quinta-feira, em prolongar o período de cessar-fogo. Mas os confrontos continuam em todo o país. Já esta sexta-feira o exército sudanês acusou as Forças de Apoio Rápido (RSF) de terem disparado contra um avião de evacuação turco, ferindo um dos tripulantes e danificando o depósito de combustível da aeronave. Ação que o grupo paramilitar recusou.

Uma cessar-fogo de 72 horas, desde a noite de segunda-feira, trouxe alguma tranquilidade a Cartum e facilitou a retirada de milhares de estrangeiros que estavam no Sudão. Mas apesar de, na quinta-feira, as autoridades sudanesas terem acordado prolongar este período de tréguas, os violentos confrontos aumentaram nas últimas horas, na capital do país e nos arredores da cidade.

À imprensa internacional, alguns habitantes se Omdurman, cidade vizinha de Cartum, relataram que quinta-feira foi “o pior dia” até agora, uma vez que os bairros residenciais foram atingidos por vários ataques aéreos.

“Há um cessar-fogo? Não há, é só conversa. Vão intensificar os combates até que um lado vença e não se vão importar com a segurança das pessoas. Deus nos proteja”, disse ao jornal britânico The Guardian Mohamed al-Hajj, um artista em um bairro de Omdurman que foi atingido pelos ataques aéreos.

Em comunicado, a RSF acusou as Forças Armadas de realizar ataques aéreos contra os seus militares e de espalhar “falsos rumores”. Em resposta, o exército sudanês afirmou ter assumido o controlo da maioria das regiões do país, acrescentando que “a situação está um bocado complicada em algumas zonas da capital”.

Segundo outros testemunhos, na quinta-feira, militares que usavam uniformes da RSF atacaram vários bairros da cidade de El Geneina, na região oeste de Darfur, e expulsaram muitas famílias das casas.

“Os ataques vêm de todas as direções”, disse Amany, residente em El Geneina, que pediu para não divulgar o nome da sua família por questões de segurança. “Estão todos a fugir”.

De acordo com um relatório das Nações Unidas, divulgado na quarta-feira, El Geneina tem sido alvo de “confrontos, assoltos e incêndios de casas” relatados no sul da cidade. Há registos também de mortes de civis e de muitos deslocados devido à violência na região.

“Os mercados foram invadidos, assim como as instalações de várias organizações humanitárias. A maioria dos centros de saúde não está a funcionar”, referiu a ONU.

“Todos os hospitais estão fora de serviço e o Hospital El Geneina foi vandalizado”, disse à CNN o médico Safa Aboush.

Andou Dieng, coordenador humanitário da ONU no Sudão, afirmou à comunicação social que os ataques continuam em todo o país, apesar das tentativas de cessar-fogo. Dieng admitiu estar “extremamente preocupado” com a falta de disponibilidade de alimentos, principalmente em Darfur, e apelou a que fossem abertos mais corredores humanitários.

Sabe-se também que na capital os soldados paramilitares do RSF estão a ocupar pelo menos uma estação de abastecimento de água, o que está a provocar escassez de água.

Troca de acusações

As Forças Armadas do Sudão afirmam que um avião de transporte tático Hércules C-130 “foi alvo de fogo rebelde esta manhã quando se aproximava para aterrar em Wadi Sidna”, uma base aérea a cerca de 20 quilómetros a norte da capital, Cartum. Este alegado ataque “causou danos nos tanques de combustível do avião e feriu um dos tripulantes”, refere o exército em comunicado, indicando que o avião aterrou “em segurança” na base e está a ser reparado.

“As Forças Armadas alertam para as tentativas dos rebeldes de dificultar os esforços de evacuação com ações graves”, afirmou o exército.

As RSF, contudo, negam ter atacado o avião e voltaram a acusar o exército de promover “campanhas de desinformação” e de “espalhar mentiras para encobrir as suas ações”. Os paramilitares disseram mesmo que a base de Wadi Sidna “não está sob o controlo” das RSF, pelo que atribuíram “toda a responsabilidade” ao exército.

“Embora não haja feridos no nosso pessoal, o nosso avião será verificado”, confirmou entretanto o Ministério da Defesa da Turquia em comunicado, referindo que o avião, um Hércules C-130, foi alvo de fogo de armas ligeiras.

Esta troca de acusações sobre o ataque contra o avião turco ocorre no primeiro dia da renovação de uma trégua de 72 horas mediada pelos Estados Unidos e a Arábia Saudita para facilitar a retirada de estrangeiros no Sudão e abrir corredores seguros para a entrada de ajuda humanitária.

Fonte: Agência Brasil