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Rússia Unida, de Putin, alcança maioria recorde nas eleições parlamentares
Resultado preliminar aponta 57,83% dos votos para o Rússia Unida, que supera sua marca anterior e mantém maioria constitucional na Câmara Baixa.

A eleição parlamentar realizada na Rússia terminou com o Rússia Unida, partido ligado ao presidente Vladimir Putin, projetado para ocupar 355 das 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento. Com mais de 95% dos votos contabilizados, a legenda registrava 57,83% dos votos na votação proporcional, segundo a Comissão Eleitoral Central.
O resultado supera a marca de 343 deputados obtida pelo partido em 2016 e garante uma maioria constitucional superior aos 301 assentos necessários para mudanças na Constituição. A votação ocorreu durante três dias e foi a primeira eleição legislativa russa desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Maioria amplia domínio na Duma
Além do Rússia Unida, o Partido Comunista ficou com 40 cadeiras, enquanto o LDPR obteve 25 e o Novas Pessoas, 20, conforme os resultados preliminares. O conjunto das legendas representadas no Parlamento mantém apoio às principais políticas do governo russo, incluindo a condução da guerra na Ucrânia.
O Kremlin comemorou o resultado e afirmou que a votação demonstra “um nível excepcional de coesão da sociedade russa em torno do chefe de Estado”. Dmitri Medvedev, ex-presidente e dirigente do Rússia Unida, também declarou que o resultado representa confiança no governo e prometeu manter a linha política estabelecida por Putin.
Eleição ocorreu em meio à guerra
A votação foi realizada em um cenário marcado pela continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia. No último dia do pleito, autoridades russas relataram um ataque com drones contra Moscou e outras áreas do país. Segundo as autoridades russas, duas pessoas morreram nos arredores da capital, enquanto uma refinaria de petróleo foi danificada.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que o ataque à refinaria teve como objetivo perturbar as eleições. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, por sua vez, declarou que as ações militares tiveram impacto importante na região de Moscou.
Participação e críticas ao processo
A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, informou que a participação ultrapassou 59% e classificou o índice como recorde para eleições desse nível. Os resultados definitivos estavam previstos para ser anunciados ainda naquela semana.
O processo eleitoral também foi alvo de críticas internacionais. A União Europeia contestou a legitimidade política do pleito, enquanto relatos apontaram restrições à participação de forças críticas ao Kremlin e à guerra. O partido Yabloko, identificado no material como a principal legenda contrária à guerra, não participou da disputa nacional.
A eleição ainda foi realizada em territórios ucranianos ocupados pela Rússia, cuja anexação por Moscou não é reconhecida internacionalmente. Com a nova composição projetada, o Rússia Unida preserva uma ampla maioria na Duma e amplia sua representação em relação à legislatura anterior.
