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Morre em Manaus Aldenor Ernesto, fundador do tradicional Canto da Peixada

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Empresário construiu uma trajetória de mais de cinco décadas na culinária regional e teve o restaurante escolhido para preparar uma refeição para o papa João Paulo II, em 1980

Foto: Reprodução Instagram @cantodapeixada

O empresário Aldenor Ernesto de Lima, fundador do Canto da Peixada, morreu nesta segunda-feira (31), em Manaus. Ele esteve à frente de uma das casas mais tradicionais da gastronomia regional da capital amazonense, cuja história atravessou mais de cinco décadas.

Natural de Careiro da Várzea, Aldenor nasceu em 27 de agosto de 1938. Antes de iniciar a trajetória no setor de alimentação, exerceu diferentes atividades profissionais. Trabalhou como garimpeiro no Rio Tapajós, em Rondônia e no Mato Grosso, além de atuar como estivador no Porto de Manaus e como prático.

A história do Canto da Peixada começou em 1º de maio de 1974. O restaurante foi criado por Aldenor em parceria com o amigo Luís Martins, em um imóvel localizado na esquina das ruas Emílio Moreira e Ayrão, no bairro Praça 14 de Janeiro, na zona Sul de Manaus.

O início do empreendimento foi marcado pela simplicidade. Para colocar o negócio em funcionamento, os sócios contavam com um fogão doméstico, um freezer emprestado e 200 cruzeiros, valor que havia sido dado pelo pai de Aldenor.

Dois anos depois da inauguração, Luís Martins deixou a sociedade, e Aldenor passou a conduzir sozinho o restaurante.

Da boemia à gastronomia regional

Nos primeiros anos, o estabelecimento tinha forte ligação com a boemia de Manaus e permanecia aberto até as 6h. Ao longo do tempo, o Canto da Peixada ganhou espaço entre moradores e visitantes e se tornou conhecido pelos pratos da culinária amazônica.

Entre as receitas que ajudaram a consolidar a fama do restaurante estão a caldeirada de tucunaré e o bodó. Com o passar dos anos, o estabelecimento passou a integrar a história da gastronomia regional e se tornou um dos pontos tradicionais para quem busca pratos típicos da Amazônia.

Refeição servida ao papa

Em 1980, o restaurante viveu um dos episódios mais emblemáticos de sua trajetória. Durante a visita do papa João Paulo II a Manaus, o Canto da Peixada foi escolhido para preparar a refeição que seria servida ao pontífice.

A contribuição de Aldenor Ernesto à gastronomia, à cultura e à economia do Amazonas também recebeu reconhecimento público. Durante as comemorações pelos 50 anos do Canto da Peixada, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) homenageou o empresário pelos serviços prestados ao estado.

Aldenor era pai do vereador Aldenor Lima e sogro da deputada estadual Joana Darc, ambos do União.