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Documentos da PF revelam articulações envolvendo Lulinha e o Ministério da Saúde

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Filho do presidente Lula é citado como beneficiário indireto de negociações conduzidas por Roberta Luchsinger, segundo documentos obtidos pela Veja.

Foto: Montagem sobre reprodução / Redes sociais / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Relatórios da Polícia Federal apontam que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi indicado como beneficiário indireto de articulações conduzidas pela empresária e lobista Roberta Luchsinger para viabilizar negócios relacionados ao fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.

As informações foram reveladas pela revista Veja na quinta-feira (20), após acesso a documentos que integram a investigação. O nome de Lulinha aparece em três inquéritos atualmente em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

PF identifica influência de Lulinha nas tratativas

Segundo os documentos reunidos pela Polícia Federal, mensagens de Roberta Luchsinger apresentam Lulinha como uma referência decisória em iniciativas que envolviam mudanças legislativas e contratos públicos.

A PF afirma que as comunicações analisadas indicam que Fábio Luís Lula da Silva foi mencionado como referência nas decisões relacionadas aos projetos e apontado como beneficiário indireto das articulações realizadas por terceiros em seu nome.

A investigação também encontrou mensagens de Roberta nas quais aparece a orientação para que Lulinha deixasse o Brasil até junho de 2025. Naquele período, ele se mudou para a Espanha.

Ex-chefe de gabinete de Lula teria intermediado reunião

Os investigadores também identificaram a participação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo os documentos, ele teria intermediado uma reunião entre Roberta Luchsinger e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A reunião é citada no contexto das articulações relacionadas ao mercado de cannabis medicinal e às tentativas de aproximação com integrantes do governo federal.

PF aponta “sociedade oculta” no setor de cannabis medicinal

Outro elemento destacado pela Polícia Federal envolve uma suposta relação econômica entre Lulinha, Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar, ex-dono do sítio de Atibaia (SP), que foi investigado no âmbito da Operação Lava Jato.

Em representação encaminhada ao STF, a PF afirma que os três mantinham “comunhão de interesses econômicos” e aponta suspeitas de uma “sociedade oculta” em negócios relacionados à cannabis medicinal.

De acordo com os investigadores, o grupo teria buscado viabilizar a venda de produtos ao Ministério da Saúde.

Atuação teria ultrapassado o lobby

A Polícia Federal sustenta que as atividades investigadas não se limitavam à interlocução típica de lobby. Entre os elementos apurados estão possíveis iniciativas para facilitar contratos públicos, promover alterações legislativas favoráveis a interesses privados e realizar pagamentos a agentes públicos de alto escalão.

No documento encaminhado ao Supremo, a PF afirma que Roberta Luchsinger atuou de maneira sistemática na interlocução de interesses ligados ao mercado de canabidiol com integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial.

A representação também registra que Lulinha teria acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas.

As informações fazem parte de investigações em andamento e foram apresentadas pela Polícia Federal ao STF como elementos para apuração das suspeitas envolvendo as relações econômicas e as articulações descritas nos documentos.