Internacional
Inflação nos EUA acelera em março com pressão do petróleo e efeitos estatísticos
Alta no custo da energia, ligada ao conflito no Oriente Médio, impulsiona índice ao consumidor e mantém atenção do mercado sobre os próximos passos do banco central

A inflação nos Estados Unidos registrou forte avanço em março, influenciada principalmente pelo encarecimento da energia em meio às tensões envolvendo o Irã. Dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) mostram que o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,9% no mês e acumula alta de 3,3% em 12 meses — acima dos 2,4% observados anteriormente.
O resultado veio em linha com as estimativas de mercado. Já o núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis como alimentos e combustíveis, apresentou alta de 0,2% no mês e de 2,6% no acumulado anual, ligeiramente abaixo das projeções.
Apesar disso, economistas apontam que a leitura atual ainda carrega distorções causadas pela paralisação parcial do governo norte-americano no ano passado. Durante 43 dias, a coleta de dados foi interrompida, levando o BLS a adotar estimativas para preencher lacunas — fator que pode estar suavizando os números até a normalização completa das medições.
Energia lidera pressão inflacionária
O principal vetor de alta em março foi o setor energético. Os preços dispararam 10,9% no mês e acumulam elevação de 12,5% em um ano. A gasolina, em especial, teve salto expressivo de 21,2% no período mensal.
A escalada está diretamente ligada às restrições de oferta no Oriente Médio, agravadas pelo fechamento temporário do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo. Segundo o BLS, a energia respondeu por quase três quartos da alta mensal do CPI.
Enquanto isso, os custos de eletricidade avançaram 0,8% em março, com aumento anual de 4,6%, e o gás encanado recuou no mês, mas segue mais caro no acumulado de 12 meses.
Alimentos e serviços mostram comportamento misto
Os preços dos alimentos ficaram estáveis no mês, embora registrem alta de 2,7% em um ano. O consumo dentro de casa apresentou leve queda mensal, enquanto refeições fora continuaram subindo.
Entre os itens específicos, carnes e derivados recuaram no curto prazo, mas seguem significativamente mais caros na comparação anual. Já os ovos mantiveram trajetória de queda após o impacto anterior da gripe aviária, acumulando forte redução em 12 meses.
Outros segmentos também contribuíram para a pressão inflacionária. Os custos com moradia cresceram 0,3% em março, enquanto serviços de transporte avançaram 0,6%. Passagens aéreas, por exemplo, acumulam alta de quase 15% em um ano.
Mercado avalia próximos passos do Fed
Analistas destacam que o comportamento recente da inflação reforça a influência do choque energético sobre a economia. Para Ellen Zentner, do Morgan Stanley Wealth Management, o avanço já era esperado diante da disparada do petróleo.
A expectativa predominante é de cautela por parte do Federal Reserve (Fed), que deve manter sua política monetária sem mudanças imediatas, aguardando novos dados.
Há também projeções de continuidade da pressão inflacionária no curto prazo. Economistas indicam que efeitos secundários — especialmente em transporte e bens duráveis — podem manter os índices elevados nas próximas leituras.
Mesmo assim, estimativas atualizadas apontam que a inflação deve encerrar 2026 em torno de 3% ao ano, com o núcleo próximo de 2,6%, sinalizando possível estabilização após os impactos mais intensos do choque energético.