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Dólar dispara 12,25% após vitória de Lula, e B3 suspende negociações

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Moeda americana chegou a R$ 5,604 na manhã desta segunda-feira (26), enquanto contratos futuros do Ibovespa registraram forte queda após a confirmação do resultado presidencial.

Foto: Reprodução

A abertura do mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (26) foi marcada por uma forte movimentação nos preços dos ativos. O dólar chegou a R$ 5,604, com valorização de 12,25%, enquanto a B3 suspendeu temporariamente as negociações por 30 minutos após a moeda americana atingir o limite de oscilação previsto para a sessão.

O movimento ocorreu após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, aproximadamente 64,2 milhões, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, que somou 59,8 milhões.

A reação também foi observada fora do Brasil. Em Nova York, o EWZ, fundo de índice que reúne ações de grandes empresas brasileiras, registrava queda de 18,29% no pregão noturno de domingo, chegando a US$ 34,80. Em Tóquio, o Next Funds Ibovespa Linked era negociado a 288 ienes, com desvalorização de 11,8%.

Expectativa de perdas já aparecia em levantamento com gestores

Um levantamento divulgado pelo Citi na sexta-feira (24), com mais de 70 gestores de fundos de ações e multimercado, apontava para uma perspectiva negativa dos investidores caso Lula vencesse a disputa presidencial.

Segundo o relatório, aproximadamente 80% dos entrevistados projetavam uma queda superior a 5% no Ibovespa no primeiro pregão após a eleição. Outros 7% esperavam recuo entre 1% e 5%.

Na avaliação sobre o câmbio, 63% dos gestores estimavam uma desvalorização do real superior a 5% diante do dólar. Outros 28% projetavam uma perda entre 2% e 5%.

Mercado acompanhava expectativa de mudanças na economia

Parte das expectativas dos investidores estava associada à possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro. Entre os pontos considerados pelo mercado estavam uma política de ajuste fiscal, redução das despesas públicas e medidas para controlar o crescimento da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Também havia expectativa de reformas administrativa e previdenciária, além de mudanças que poderiam influenciar a trajetória da taxa básica de juros, a Selic.

Na sexta-feira (24), antes do resultado eleitoral, o dólar havia encerrado a sessão em queda de 0,9%, cotado a R$ 4,993. Apesar da forte alta registrada nesta segunda-feira, a moeda acumulava perdas de 3,5% em outubro e de 9,03% em 2026, considerando os números apresentados no material.

Diante da pressão sobre o câmbio, analistas do mercado financeiro avaliavam a possibilidade de o Banco Central atuar no mercado à vista, com venda de dólares para ampliar a oferta da moeda e garantir liquidez às operações.