Brasil
Manuela d’Ávila fica fora do Senado após retorno às urnas
Disputa no Rio Grande do Sul terminou com Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) eleitos para as duas cadeiras em jogo

Manuela d’Ávila (PSOL) terminou em terceiro lugar na disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Rio Grande do Sul e ficou fora da composição da bancada gaúcha que será renovada a partir de 2027. Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) foram eleitos neste domingo (4), com cerca de 30% dos votos válidos cada.
Resultado contrariou cenário das pesquisas

A derrota encerra o retorno de Manuela às urnas após seis anos. Durante a campanha, a candidata apareceu entre os nomes mais competitivos na corrida pelo Senado e chegou a liderar numericamente alguns levantamentos. Na pesquisa Quaest divulgada na véspera da votação, Manuela, Sanderson, Van Hattem e Paulo Pimenta (PT) apareciam tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Na apuração, porém, a candidata do PSOL terminou distante dos dois eleitos. Manuela ficou com aproximadamente 17,16% dos votos válidos, enquanto Paulo Pimenta alcançou cerca de 16,4% e terminou em quarto lugar.
Direita conquista as duas cadeiras
Sanderson e Van Hattem tiveram uma disputa bastante equilibrada pela primeira colocação, mas abriram vantagem suficiente sobre os demais candidatos para assegurar as duas vagas. Com quase toda a apuração concluída, Sanderson registrava cerca de 30,11% e Van Hattem, aproximadamente 30,08%.
A eleição dos dois também altera o perfil da representação gaúcha no Senado. Ambos são identificados com a direita e chegam à Casa após exercerem mandatos na Câmara dos Deputados. Sanderson tem trajetória ligada à Polícia Federal e à defesa de pautas de segurança pública, enquanto Van Hattem ganhou projeção nacional por sua atuação parlamentar e posições críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.
Retorno à política eleitoral
A candidatura de Manuela marcou sua volta às urnas desde a eleição municipal de 2020, quando disputou novamente a Prefeitura de Porto Alegre. Antes disso, construiu uma trajetória política no Rio Grande do Sul, iniciada ainda jovem como vereadora da capital.
Ela também exerceu dois mandatos como deputada federal e um como deputada estadual. Em 2018, foi candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT), derrotada por Jair Bolsonaro no segundo turno.
Em 2024, Manuela deixou o PCdoB e ingressou no PSOL. Na eleição deste ano, integrou a federação PSOL-Rede e fez campanha alinhada à candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Campanha também teve episódio envolvendo Justiça Eleitoral
Outro episódio que marcou a campanha foi a controvérsia envolvendo o chamado “Selo Anti Manu-Ela”, adesivo que apresentava o rosto de Manuela riscado por um X. O material foi associado à campanha de oposição à candidata e chegou a ser exibido publicamente por Luciano Zucco (PL), candidato ao governo do Estado.
A candidata Julia Zardo (Novo) afirmou ter criado o adesivo durante a pré-campanha e contestou a versão apresentada por Manuela sobre a origem da peça.
Manuela publicou uma imagem do adesivo nas redes sociais e relacionou o conteúdo a ameaças e feminicídio. Segundo a informação divulgada durante a campanha, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul determinou multa de R$ 10 mil contra a candidata em ação movida pelo Ministério Público Eleitoral, por propaganda antecipada negativa e divulgação de conteúdo considerado manipulado.
Com a apuração das eleições, Manuela encerra sua tentativa de retornar ao cenário eleitoral institucional sem conquistar uma das duas cadeiras disponíveis. O Rio Grande do Sul será representado no Senado pelos eleitos Ubiratan Sanderson e Marcel van Hattem a partir da próxima legislatura.
