Brasil
Globo cancela debate presidencial após decisões judiciais de última hora
A emissora decidiu suspender o encontro previsto para esta quinta-feira (1º), após mudanças determinadas pelo TSE e pelo STF alterarem as regras e a composição do programa

A TV Globo cancelou o debate presidencial que estava previsto para a noite desta quinta-feira (1º), três dias antes do primeiro turno das eleições de 2026. A decisão ocorreu após duas determinações judiciais modificarem, às vésperas do programa, tanto as regras para candidatos ausentes quanto a lista de participantes. A emissora afirmou que as mudanças provocaram “insegurança jurídica” e, segundo sua avaliação, interferiram na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais.
Decisões mudaram regras do encontro
Uma das decisões partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após pedido da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A magistrada determinou que a Globo não exibisse o púlpito vazio reservado ao presidente, que havia informado que não participaria do debate, e também impediu que os demais candidatos formulassem perguntas dirigidas a ele.
A emissora informou que essas regras estavam previstas na ata do debate e haviam sido assinadas pelos partidos participantes, incluindo o PT. O acordo estabelecia que, diante da ausência de um candidato, seu espaço permaneceria vazio e identificado no cenário. Também previa uma rodada em que os participantes poderiam formular, em 30 segundos, a pergunta que fariam ao candidato ausente.
Inclusão de Renan Santos também alterou o cenário
Outra mudança veio do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Gilmar Mendes determinou a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate, atendendo a um pedido apresentado pelo Solidariedade. A decisão modificou o cenário definido anteriormente pela emissora e contrariou decisões anteriores que haviam negado a participação do candidato.
Antes disso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia determinado a inclusão de Romeu Zema (Novo) no encontro após alterar o entendimento utilizado para a contagem da representação parlamentar necessária para os debates. A Globo afirmou que seus convites iniciais haviam seguido o critério de obrigatoriedade para partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso.
Ausências de Lula e Flávio Bolsonaro pesaram no cancelamento
Lula já havia comunicado que não participaria do debate. No mesmo período, o presidente participou de uma entrevista ao Flow Podcast.
Horas antes do programa, Flávio Bolsonaro (PL), que havia confirmado presença, também desistiu de participar. O candidato relacionou sua decisão à determinação do TSE envolvendo o púlpito destinado a Lula e classificou a medida como “censura”. Essa declaração é uma posição de Flávio Bolsonaro e não uma conclusão independente sobre a decisão judicial.
Com as alterações judiciais e as desistências, a Globo decidiu não realizar o encontro. A emissora afirmou que sua intenção era proporcionar aos eleitores a possibilidade de comparar os projetos dos candidatos, mas considerou que as decisões recebidas pouco antes da transmissão comprometeram as condições previamente estabelecidas.
Emissora substituiu debate por novela
No comunicado divulgado após o cancelamento, a Globo afirmou que as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do programa causaram “insegurança jurídica” e representaram, na avaliação da empresa, uma “interferência indevida” na liberdade dos veículos de imprensa para organizar debates eleitorais.
Com o cancelamento, o horário que seria ocupado pelo debate foi preenchido por um capítulo inédito da novela “Quem Ama Cuida”. O encontro seria o último debate televisivo previsto antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
A legislação eleitoral estabelece que o último dia para realização de debates no rádio e na televisão no primeiro turno é 1º de outubro, admitida extensão até as 7h do dia 2
