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Justiça inicia audiências contra acusados de fraude milionária no Detran-AM

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Investigação aponta esquema que retirava restrições de veículos beneficiados pela Zona Franca e gerou prejuízo de cerca de R$ 30 milhões ao Estado

Foto: Divulgação

Começaram nesta quarta-feira (11) as audiências de instrução e julgamento relacionadas à “Operação Sanguessuga”, que investiga um esquema de corrupção ligado ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Ao todo, 28 pessoas respondem ao processo por participação em um suposto esquema que teria causado perdas estimadas em R$ 30 milhões aos cofres públicos.

Entre os acusados estão servidores do órgão, estagiários, despachantes e outros colaboradores que, segundo as investigações, atuavam de forma articulada para burlar o sistema de registro de veículos. O grupo é suspeito de manipular informações para liberar automóveis de alto valor — principalmente picapes — que haviam sido adquiridos com incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus.

Esses veículos recebem redução ou isenção de tributos como o ICMS e o IPI, mas ficam sujeitos a restrições que impedem sua circulação fora do Amazonas por determinado período. Conforme apurado, os envolvidos removiam ilegalmente essas restrições nos sistemas oficiais após o pagamento de propina, permitindo que os automóveis fossem revendidos em outros estados pelo preço integral de mercado.

A investigação também identificou outras práticas ilícitas atribuídas ao grupo, como a venda irregular de lacres de placas, utilizados por organizações criminosas especializadas em clonagem de veículos, além da aprovação de vistorias em desacordo com as normas.

Caso sejam condenados pelos crimes investigados, os réus podem enfrentar penas superiores a 20 anos de prisão. As audiências devem reunir depoimentos de testemunhas e interrogatórios dos acusados ao longo das próximas etapas do processo.