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China condena ex-ministros da Defesa à morte por corrupção em meio a expurgo militar
Sentenças contra Wei Fenghe e Li Shangfu reforçam ofensiva anticorrupção de Xi Jinping nas Forças Armadas chinesas e ampliam suspeitas de disputa política interna

A Justiça Militar da China condenou à morte os ex-ministros da Defesa Wei Fenghe e Li Shangfu por envolvimento em esquemas de corrupção, informou nesta quinta-feira, 7, a agência estatal Xinhua.
As penas foram aplicadas com suspensão condicional de dois anos — mecanismo previsto na legislação chinesa que pode transformar a condenação em prisão perpétua caso os réus apresentem bom comportamento durante o período.
Wei Fenghe, que comandou o Ministério da Defesa entre 2018 e 2023, foi considerado culpado por receber propina. Já Li Shangfu, que permaneceu no cargo por apenas sete meses em 2023, recebeu condenação por aceitar e também oferecer subornos.
Além das sentenças, os dois ex-ministros perderam os direitos políticos de forma permanente e tiveram todos os bens pessoais confiscados pelas autoridades chinesas.
As condenações ocorrem em meio à ampla campanha anticorrupção promovida pelo presidente Xi Jinping dentro das Forças Armadas. Nos últimos meses, a ofensiva atingiu integrantes da alta cúpula militar, principalmente oficiais ligados à Força de Foguetes, setor responsável pelo arsenal nuclear chinês.
A operação também alcançou membros influentes da Comissão Militar Central, principal órgão de comando das forças militares do país.
O caso de Li Shangfu chamou atenção internacional depois que o ex-ministro desapareceu de compromissos públicos antes mesmo de ser oficialmente afastado do cargo, em 2023. O sumiço gerou especulações sobre disputas internas e instabilidade no comando militar chinês.
Especialistas em política internacional avaliam que, além do discurso de combate à corrupção, a campanha liderada por Xi Jinping também tem servido para ampliar o controle político sobre as Forças Armadas chinesas.