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Relatório dos EUA aponta suposta perseguição a ativistas antiaborto durante gestão Biden
Documento atribuído ao governo Trump acusa gestão Biden de favorecer grupos específicos e adotar medidas desiguais contra ativistas

Um relatório divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta terça-feira (14) apresenta acusações de que, durante a administração de Joe Biden, houve utilização da estrutura federal para beneficiar pautas relacionadas ao aborto. O documento, que teria analisado cerca de 700 mil registros internos, sustenta que ativistas contrários à prática foram alvo de ações seletivas por parte das autoridades.
A divulgação ocorreu sob a atual gestão de Donald Trump, que afirmou intenção de reformular procedimentos do sistema judicial. Segundo o relatório, promotores federais teriam atuado em cooperação com a Planned Parenthood para monitorar cidadãos, o que é descrito como alinhamento indevido com grupos de interesse. O procurador-geral interino, Todd Blanche, declarou que haverá mudanças para evitar distinções baseadas em posicionamentos ideológicos.
Acusações de restrições à defesa e participação religiosa
O documento também aponta que evidências teriam sido omitidas em processos envolvendo ativistas pró-vida, dificultando o trabalho das defesas. De acordo com a investigação, pedidos formais de acesso a informações teriam sido negados mesmo quando os dados estavam disponíveis.
Outro ponto destacado envolve a suposta tentativa de restringir a participação de pessoas religiosas em júris, o que, segundo o texto, teria como objetivo influenciar resultados judiciais. Além disso, são citadas operações conduzidas pelo FBI consideradas excessivas, incluindo prisões em domicílio de investigados que, conforme o relatório, não ofereciam resistência — como no caso do ativista Mark Houck.
Diferenças nas punições e mudanças recentes
A análise apresentada indica disparidade nas penas solicitadas pelo DOJ. Enquanto manifestantes contrários ao aborto teriam enfrentado pedidos médios de 26,8 meses de prisão, acusados de ataques a instituições religiosas ou centros de apoio a gestantes teriam sido alvo de solicitações menores, com média de 12,3 meses.
Após assumir o governo, Trump anunciou medidas para rever esse cenário. Entre elas, estão o perdão a ativistas condenados e o encerramento de ações civis iniciadas anteriormente. A nova orientação do Departamento de Justiça, segundo a atual gestão, é restringir processos contra manifestantes a casos considerados mais graves, com o objetivo declarado de evitar perseguições motivadas por diferença ideológicas.