Política
“Peidódromo” | Lula quer criar ‘varandinha do pum’ — e chama isso de respeito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Amazonas nesta terça-feira, 26, e aproveitou a visita para anunciar uma novidade do programa Minha Casa Minha Vida: a partir de agora, todos os apartamentos do programa terão varanda. O motivo? O próprio presidente explicou, ao vivo, sem cerimônia.
“Tem dias que as crianças não estão bem do intestino, estão soltando um pum muito fedido. Então é importante que tenha uma varandinha pra ela ir lá e não obrigar a mãe a ficar cheirando gases que ela não quer cheirar”, disse Lula, em discurso registrado em vídeo.
Ninguém inventou. Ele disse isso.
Estavam ao lado do presidente o senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao Governo do Amazonas, o senador Eduardo Braga (MDB), pré-candidato à reeleição ao Senado, os deputados federais Átila Lins e Saullo Vianna, ambos candidatos à reeleição, o prefeito de Manaus Renato Junior, além de outras autoridades.
A medida em si não é absurda — varandas em habitações populares melhoram ventilação, qualidade de vida e aproveitamento do espaço. Arquitetos e urbanistas debatem isso há décadas. O problema não é a varanda. O problema é que o presidente do Brasil escolheu a flatulência infantil como argumento técnico para uma política pública habitacional, enquanto ainda existem milhares de famílias aguardando unidades paralisadas há anos.
Lula lembrou, no mesmo discurso, que ao retornar ao poder em 2023 encontrou casas do Minha Casa Minha Vida paradas desde o governo Dilma — obras abandonadas que exigiram novos projetos, novas licitações e reavaliação estrutural antes de qualquer retomada.
Reconheceu que recuperar uma obra parada demora mais do que construir uma do zero. Depois anunciou a contratação de mais três milhões de unidades até o fim do ano.
São números expressivos. Se cumpridos, merecem cobertura. Mas a memória que fica da visita presidencial ao Amazonas é outra.
Quando um chefe de Estado usa como argumento para política habitacional a necessidade de isolar o cheiro do pum da criança — e ainda chama isso de “respeito” —, o registro é inevitável. Não por malícia. Por exatidão.
O discurso foi proferido em público, em evento oficial, com câmeras ligadas. O presidente sabia onde estava. Falou assim mesmo.
Chame de estilo, chame de popularismo, chame do que quiser. O fato documentado é que o Palácio do Planalto chegou ao Amazonas com uma novidade habitacional e saiu com um clipe sobre gases intestinais.
A varanda vem. O argumento já viralizou.
Vídeo: