Política
David defende transparência enquanto MP-AM aprofunda investigação sobre contratos de R$ 125 milhões de sua gestão

Fotos: Matheus Dias / Comunicação David Almeida
A transparência promete ser uma das principais bandeiras da disputa pelo Governo do Amazonas em 2026. O debate ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8), quando o pré-candidato David Almeida (Avante) anunciou que recorrerá à Justiça para obter informações sobre contratações realizadas pela Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM). A manifestação, porém, ocorre em um momento em que o próprio ex-prefeito de Manaus é alvo de uma investigação do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), que apura contratos superiores a R$ 125 milhões firmados durante sua gestão.
Segundo o Portal Rios de Notícias, a 78ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção do Patrimônio Público instaurou um Procedimento Preparatório para aprofundar a análise de contratos celebrados pelas secretarias municipais de Educação (Semed) e de Infraestrutura (Seminf). A apuração busca verificar a legalidade das contratações, a compatibilidade dos valores pagos e as circunstâncias da adesão a uma Ata de Registro de Preços do Governo do Maranhão. O procedimento ainda está em fase inicial e não representa conclusão sobre eventual irregularidade.
Foi nesse cenário que David divulgou um vídeo anunciando que pretende ingressar com uma ação, com base na Lei de Acesso à Informação, para obter a relação completa dos contratados pela AADESAM em 2026. No pronunciamento, citou o caso das chamadas “folhas secretas” do Rio de Janeiro e apresentou números que, segundo ele, apontam repasses de aproximadamente R$ 1,775 bilhão destinados à AADES e à AADESAM entre 2019 e 2025. Também afirmou que deseja saber quem foi contratado, onde trabalhou e quais serviços foram efetivamente prestados.
Os dois episódios são distintos e tratam de administrações diferentes. Ainda assim, colocam um mesmo tema no centro da pré-campanha: a fiscalização da aplicação dos recursos públicos. De um lado, David cobra explicações sobre contratações realizadas por meio da AADESAM. De outro, o Ministério Público reúne documentos e informações para esclarecer contratos celebrados durante sua própria administração na Prefeitura de Manaus.
Na política, a transparência costuma produzir um efeito inevitável: quem a transforma em discurso também amplia o interesse público sobre seus próprios atos quando ocupou cargos de gestão. É justamente esse movimento que marca o atual momento da pré-campanha. O debate deixa de ser apenas sobre acusações ou respostas e passa a exigir algo mais consistente: documentos, justificativas técnicas e prestação de contas.
O MP-AM ainda não concluiu a investigação envolvendo os contratos da gestão de David Almeida, assim como os questionamentos levantados pelo ex-prefeito sobre a AADESAM dependerão das informações que forem disponibilizadas e da atuação dos órgãos competentes. Em ambos os casos, caberá às instituições produzir as respostas que a sociedade espera.
Em um ambiente político cada vez mais fiscalizado, a coerência entre discurso e prática tende a ser um dos principais critérios de avaliação do eleitor. Mais do que prometer transparência, os protagonistas da disputa precisarão demonstrar que estão dispostos a se submeter ao mesmo nível de escrutínio que defendem para seus adversários.
Fotos: Matheus Dias / Comunicação David Almeida