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PM do Amazonas afasta cabo após flagrante com mala de R$ 2,5 milhões em operação da PF

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Rayron Costa Bezerra foi exonerado da função na Casa Militar horas depois de ser detido; outros dois homens também foram presos durante a ação federal em Manaus.

A Polícia Militar do Amazonas afastou, na sexta-feira (5), o cabo Rayron Costa Bezerra da função que ocupava na Casa Militar, poucas horas após ele ser preso pela Polícia Federal transportando uma mala com R$ 2,5 milhões em Manaus. A corporação recolheu a arma funcional do militar e abriu um procedimento administrativo disciplinar para investigar sua conduta.

Rayron, que estava de folga no momento da abordagem, foi detido ao deixar uma agência do Sicoob localizada no Uai Shopping, na Zona Leste da capital. Ele carregava a mala onde o valor milionário havia sido guardado, durante uma ação monitorada pela PF.

Além do militar, a operação resultou na prisão de Marcos Aurélio Santos da Cruz, apontado como responsável por solicitar o transporte do dinheiro, e do contador Ruan Lima Silva, que também teria participação no esquema acompanhado pelos agentes federais.

Em nota, a Polícia Militar destacou que não admite desvios de conduta entre seus integrantes e reforçou que está colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário.

Empresa investigada tem indícios de fachada e funciona no mesmo endereço de rede de colchões

Informações levantadas pela Rede Amazônica apontam que Marcos Aurélio Santos da Cruz é ligado a uma empresa suspeita de funcionar como fachada. O ponto que chamou a atenção das autoridades é que o suposto estabelecimento comercial está registrado no mesmo endereço de uma conhecida rede de colchões do estado.

Segundo dados cadastrais, a empresa foi aberta em maio de 2024 e está registrada como “comércio varejista de artigos de papelaria”, com capital social de apenas R$ 10 mil — completamente incompatível com a quantia milionária apreendida.

Entre os detidos na operação estão:

  • Rayron Costa Bezerra, policial militar da Casa Militar;
  • Marcos Aurélio Santos da Cruz, diarista de um bar;
  • Ruan Lima Silva, contador e formalmente registrado.

A PF suspeita que o trio participe de um esquema de lavagem de dinheiro por meio de operações financeiras sem lastro e movimentações incompatíveis com a estrutura da empresa.

Como a operação foi deflagrada

A ação teve início após uma denúncia anônima enviada à Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/AM), indicando que um dos envolvidos estaria ocultando valores de origem ilícita. A PF passou a monitorar o grupo e realizou a abordagem pouco depois do saque de R$ 2,5 milhões em uma agência bancária localizada no shopping.

No momento da prisão, Rayron levava a mala com o dinheiro e declarou aos agentes que desconhecia o conteúdo, afirmando estar apenas prestando um “favor” a Marcos Aurélio. Os três foram conduzidos à Superintendência Regional da PF, onde o flagrante foi formalizado na noite de quarta-feira (3).

Apesar da gravidade do caso, os investigados foram liberados após audiência de custódia realizada na quinta-feira, mediante concessão de liberdade provisória. Eles responderão ao processo em liberdade enquanto a Polícia Federal aprofunda as diligências para esclarecer a origem e o destino do montante apreendido.