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Ditadura chavista liberta militares presos por oposição a Maduro após mais de nove anos de cárcere

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Considerados presos políticos por organizações de direitos humanos, grupo foi acusado de conspirar contra o regime socialista venezuelano; país ainda mantém centenas de detidos por motivação política

Oito militares venezuelanos considerados presos políticos deixaram a prisão nesta terça-feira (26), após mais de nove anos detidos pelo regime chavista. O grupo havia sido preso em 2017, acusado de conspirar contra a ditadura de Nicolás Maduro em um processo marcado por denúncias de perseguição política e violações de direitos humanos.

As libertações fazem parte de uma nova rodada de medidas adotadas pelo governo interino de Delcy Rodríguez, sucessora política do chavismo após a captura de Maduro em operação conduzida pelos Estados Unidos no início do ano.

Os militares estavam ligados ao chamado “Caso Paraquedistas”, investigação usada pelo regime venezuelano para enquadrar integrantes das Forças Armadas acusados de incitação e rebelião contra o governo socialista.

Entre os envolvidos no caso estava o general Raúl Isaías Baduel, ex-ministro da Defesa e antigo aliado de Hugo Chávez. Depois de romper com o chavismo, Baduel passou a ser alvo direto do regime e morreu na prisão em 2021, em circunstâncias contestadas por familiares e organizações internacionais.

Libertação foi marcada por comemoração e emoção

Os militares deixaram o tribunal sob aplausos de familiares e apoiadores. Imagens divulgadas pela ONG Foro Penal mostram os sargentos usando camisas amarelas e erguendo os punhos em sinal de vitória após anos de encarceramento.

O general Ramón Lozada deixou o local em uma cadeira de rodas, evidenciando o desgaste físico provocado pelo longo período de prisão. Em um dos momentos mais simbólicos da libertação, ele se levantou para colocar a bandeira da Venezuela sobre o peito.

“Confirmamos a libertação por pena cumprida dos sargentos paraquedistas e do general Ramón Lozada”, declarou Gonzalo Himiob, vice-presidente da ONG Foro Penal. Segundo a entidade, os militares permaneceram presos por mais de nove anos.

Família Baduel denuncia perseguição do chavismo

Andreína e Margareth Baduel, filhas do general Raúl Baduel, seguem atuando como vozes da campanha internacional pela libertação dos presos políticos venezuelanos. Elas também cobram a soltura de Josnars Baduel, filho do ex-general, preso desde 2020 sob acusação de participar de uma operação para derrubar Maduro.

Organizações de direitos humanos afirmam que a ditadura chavista mantém militares e opositores civis como instrumentos de intimidação política. Apesar das recentes solturas, entidades denunciam que centenas de venezuelanos continuam presos por razões ideológicas.

Venezuela ainda mantém centenas de presos políticos

A ONG Foro Penal calcula que cerca de 800 presos políticos foram libertados desde janeiro. Ainda assim, a entidade afirma que o país registrava 409 presos políticos até o último dia 25 de maio.

O regime venezuelano alega que mais de 8 mil pessoas foram beneficiadas por medidas de anistia e revisões judiciais. Segundo organizações independentes, porém, grande parte desses casos envolve cidadãos que já respondiam aos processos em liberdade e não estavam efetivamente presos.