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Deputados do Panamá acusam China de tentar interferir no Legislativo
Criação de grupo parlamentar com 45 deputados para manter contatos com Taiwan provocou forte reação da Embaixada da China no país.

A criação de um grupo parlamentar voltado ao contato com Taiwan abriu uma nova frente de tensão entre deputados do Panamá e a China. A iniciativa reúne 45 dos 71 integrantes da Assembleia Nacional, incluindo parlamentares que ocupam posições na direção do Legislativo e na comissão de relações exteriores.
A reação de Pequim veio por meio da Embaixada da China na Cidade do Panamá, que declarou “forte descontentamento e enérgico repúdio” à formação do grupo. Segundo o portal argentino Infobae, a representação chinesa exigiu que os deputados abandonassem a iniciativa e interrompessem os contatos com a ilha.
O presidente do grupo parlamentar, Medin Jiménez, rejeitou a pressão. “Eles têm a posição deles, e nós temos a nossa como panamenhos”, afirmou ao Infobae. Ele também sustentou que a iniciativa não modifica a política diplomática oficial do Panamá, mas estabelece um canal de relacionamento entre parlamentares panamenhos e representantes de Taiwan.
Para Luis Duke, a manifestação chinesa foi além de uma posição diplomática ao tentar influenciar uma decisão tomada dentro da Assembleia. O deputado também defendeu os contatos com Taiwan citando o interesse do Panamá em áreas como tecnologia, inovação e semicondutores.
A iniciativa, contudo, não representa uma mudança formal na política externa do governo panamenho. O presidente José Raúl Mulino afirmou, em publicação no X, que a condução das relações exteriores é atribuição do Executivo. Segundo ele, viagens e intercâmbios de informações realizados por parlamentares com Taiwan não equivalem a um reconhecimento ou apoio oficial à ilha.
O Panamá mantém relações diplomáticas com a China desde 2017, quando rompeu os laços com Taiwan e passou a reconhecer o princípio de “uma só China”. Pequim considera Taiwan parte de seu território e se opõe a aproximações oficiais que possam conferir reconhecimento político à ilha.
