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Cristãos em vilarejos da Índia sofrem pressão para renunciar à fé até fim de abril
Famílias relatam medo de retaliações e reconversões forçadas em meio a leis restritivas e mobilização de grupos locais

Famílias cristãs que vivem em áreas rurais do distrito de Narayanpur, no estado de Chhattisgarh, na Índia, afirmam estar sob forte pressão para abandonar sua fé até o dia 30 de abril. Segundo relatos, aqueles que não aceitarem retornar às religiões tradicionais podem enfrentar manifestações coletivas e até medidas legais.
A tensão ocorre às vésperas do ritual conhecido como Ghar Wapsi, expressão que significa “retorno ao lar”. A prática reúne pessoas que passam por processos de reconversão às crenças de origem, geralmente ligadas às tradições tribais da região.
De acordo com informações, as ameaças partem de uma organização que representa comunidades indígenas locais. O estado de Chhattisgarh possui algumas das legislações anticonversão mais rigorosas da Índia, o que, na prática, tem ampliado a pressão sobre minorias religiosas.
No início de abril, o grupo Sarva Adivasi Samaj promoveu uma reunião com cerca de 800 participantes, na qual foi exigido que moradores que adotaram o cristianismo retornassem às crenças tradicionais. Durante o encontro, líderes locais alegaram aumento nos casos de conversão religiosa entre membros das comunidades tribais.
Diante do cenário, algumas famílias relataram ter cedido à pressão social e concordado em participar das cerimônias. Outras, no entanto, afirmam viver sob medo constante de represálias, incluindo protestos em larga escala e possíveis reconversões forçadas.
Apesar de a Constituição indiana garantir liberdade religiosa, organizações apontam que, em determinadas regiões, leis estaduais e a pressão comunitária têm limitado o exercício desse direito, especialmente entre grupos minoritários.
As denúncias foram divulgadas pela organização Portas Abertas, que monitora casos de perseguição religiosa em diferentes partes do mundo.