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Avanço dos houthis, aliados do Irã, abre nova frente de tensão no Oriente Médio

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Grupo conquista posições estratégicas no Iêmen, desafia a Arábia Saudita e amplia o risco para uma das principais rotas marítimas do comércio e do petróleo

Foto: YouTube / EuroNews

A guerra no Iêmen voltou a ganhar dimensão estratégica no Oriente Médio. Os houthis ampliaram o controle sobre a costa oeste do país e anunciaram, na sexta-feira (11), a conquista de seis distritos que estavam sob domínio de forças apoiadas pela Arábia Saudita.

O avanço colocou o grupo em posições próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas do planeta. A região conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é utilizada por navios que transportam mercadorias e energia entre importantes mercados internacionais.

Entre os locais conquistados estão Mokha, Dhubab e a Ilha de Perim. A movimentação representa o avanço territorial mais significativo dos houthis em anos e ocorre enquanto outras crises militares concentram a atenção internacional, como os conflitos envolvendo Israel, Irã, Gaza, Líbano e Rússia e Ucrânia.

Pressão sobre a Arábia Saudita

A retomada dos combates já provocou uma resposta militar de Riad. Nos últimos dias, a Arábia Saudita voltou a bombardear posições dos houthis no território iemenita.

Em paralelo, os houthis passaram a atacar alvos sauditas com mísseis e drones. Na terça-feira (8), ataques atribuídos ao grupo contra instalações na Arábia Saudita deixaram 73 pessoas feridas.

No dia seguinte, os próprios houthis afirmaram que suas posições haviam sido atingidas por 54 ataques aéreos sauditas em apenas 12 horas.

A escalada evidencia que a disputa deixou de representar apenas uma questão territorial dentro do Iêmen. O controle de áreas próximas ao Bab el-Mandeb amplia a capacidade dos houthis de pressionar a Arábia Saudita e cria riscos adicionais para a circulação marítima internacional.

Bab el-Mandeb ganha importância estratégica

O Estreito de Bab el-Mandeb é um dos pontos mais sensíveis da atual crise regional. Localizado entre o Iêmen e o Chifre da África, o estreito permite a ligação entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.

Qualquer agravamento da insegurança na região pode atingir diretamente o transporte internacional de mercadorias e petróleo.

Os houthis afirmam que a navegação internacional continua segura, mas mantêm um bloqueio contra embarcações sauditas. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, declarou que a medida continuará enquanto persistirem o que chamou de agressão e bloqueio contra o Iêmen.

Enquanto isso, forças vinculadas ao governo iemenita reconhecido internacionalmente se preparam para uma contraofensiva com o objetivo de recuperar os territórios perdidos.

O presidente do Conselho de Liderança Presidencial, Rashad al-Alimi, também prometeu reagir ao avanço houthi.

Estados Unidos reforçam apoio à Arábia Saudita

A expansão dos houthis também levou os Estados Unidos a ampliar a assistência oferecida à Arábia Saudita.

Segundo as informações disponíveis na fonte, mais de cem militares norte-americanos estariam envolvidos no fornecimento de inteligência, dados geoespaciais e apoio à identificação de alvos utilizados na campanha contra o grupo.

A participação americana aumenta o peso internacional da nova escalada. O conflito ocorre em uma região onde a segurança das rotas marítimas já está sob pressão e onde diferentes disputas envolvendo Irã, Israel, Estados Unidos e países árabes se sobrepõem.

O cenário também se conecta à preocupação com o Estreito de Ormuz, outra passagem fundamental para o comércio mundial de petróleo.

Segundo a United Kingdom Maritime Trade Operations, dois navios foram atingidos na região. Pessoas a bordo de uma embarcação próxima relataram ter visto quatro projéteis não identificados atingirem os navios perto da costa de Omã. Um deles pegou fogo.

A disputa regional por trás da guerra

Os houthis, oficialmente conhecidos como Ansar Allah, surgiram no norte do Iêmen e enfrentam o governo central desde os anos 2000.

A crise ganhou uma nova dimensão após a Primavera Árabe e a saída de Ali Abdullah Saleh, que havia governado o país por mais de três décadas.

Em 2011, um acordo negociado pelo Conselho de Cooperação do Golfo, com participação decisiva da Arábia Saudita, estabeleceu uma transição política. Saleh assinou o acordo em 23 de novembro daquele ano, abrindo caminho para Abd Rabbu Mansour Hadi, seu então vice, assumir a condução da transição.

A eleição de fevereiro de 2012 teve Hadi como único candidato.

A transição, entretanto, não encerrou a crise. Em 2014, os houthis conquistaram Sanaa, a capital, e avançaram por outras regiões. No início de 2015, Hadi deixou o país.

Arábia Saudita e Irã em lados opostos

A Arábia Saudita entrou formalmente na guerra em março de 2015, quando formou uma coalizão e iniciou uma intervenção militar para combater o avanço houthi e apoiar o governo reconhecido internacionalmente.

A disputa também passou a refletir a rivalidade entre Riad e Teerã.

Os houthis são considerados aliados do Irã, embora o governo iraniano negue apoio ao grupo. Para a Arábia Saudita, a presença de um movimento armado associado ao seu principal rival regional junto à sua fronteira sul representa um problema estratégico.

A guerra provocou uma das mais graves crises do Iêmen e, durante anos, envolveu ataques, combates terrestres e uma ampla disputa pelo controle territorial.

Em 2022, uma trégua reduziu significativamente os confrontos diretos entre os houthis e a coalizão liderada pelos sauditas. A pausa, porém, não resultou em um acordo definitivo de paz.

Agora, quatro anos depois, a retomada dos combates coloca novamente o Iêmen no centro da disputa geopolítica do Oriente Médio.

O avanço dos houthis sobre áreas próximas ao Bab el-Mandeb aumenta a preocupação não apenas de Riad, mas também de países que dependem da estabilidade das rotas marítimas para garantir o fluxo internacional de petróleo e mercadorias.

Com a participação crescente de Estados Unidos, Arábia Saudita e forças apoiadas pelo Irã, o conflito iemenita volta a representar uma peça importante no complexo tabuleiro de segurança do Oriente Médio.