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Queimadas elevam poluição do ar no interior do Amazonas; Itacoatiara registra nível péssimo

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Incêndios florestais mantêm cidades do interior sob intensa fumaça, enquanto Manaus apresenta índices moderados; fogo na região do Rio Urubu já dura 54 dias.

Foto: Rede Amazônica

A fumaça provocada pelas queimadas continua comprometendo a qualidade do ar em diferentes municípios do Amazonas. Na manhã desta sexta-feira (23), Itacoatiara, Barreirinha e Autazes registraram índices classificados como péssimos, enquanto Manaus apresentava condições moderadas, segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Em Itacoatiara, a concentração de partículas finas chegou a 250 microgramas por metro cúbico (µg/m³) às 6h. Às 8h15, o indicador havia recuado para 148,8 µg/m³, mas continuava em uma faixa considerada péssima. No início da manhã, o município figurava entre os locais com os piores registros de poluição atmosférica monitorados no país.

Barreirinha também apresentou situação preocupante, com 143,7 µg/m³. Em Autazes, o índice chegou a 133,5 µg/m³.

Incêndio no Rio Urubu atinge mais de 4 mil hectares

Um dos principais focos de preocupação está na zona rural de Itacoatiara, onde um incêndio florestal na região do Rio Urubu permanece ativo há 54 dias.

A área atingida ultrapassa 4 mil hectares de vegetação, extensão equivalente a aproximadamente 5,6 mil campos de futebol. O fogo também avançou sobre parte da Terra Indígena Paraná do Arauató, território tradicional do povo Mura.

As dificuldades de acesso à região tornam o trabalho das equipes de combate mais complexo. Para enfrentar as chamas, dois aviões do Prevfogo, vinculado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), atuam na área há uma semana.

Uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas também integra a operação, realizando lançamentos de água sobre os trechos atingidos. Apesar da mobilização, ainda existem focos ativos.

Outro ponto de atenção fica na região da Vila de Lindóia. Conforme o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o incêndio nessa área possui influência sobre uma extensão superior a 800 hectares.

Parintins também registra índices críticos

A poluição provocada pelas queimadas não está restrita a Itacoatiara. Em Parintins, os três pontos de monitoramento apresentaram qualidade do ar péssima na manhã desta sexta-feira.

Por volta das 7h, os registros eram:

  • Centro: 204,6 µg/m³;
  • Vila Amazônia: 199,6 µg/m³;
  • Comunidade do Maranhão: 160,2 µg/m³.

Na Região Metropolitana de Manaus, outros municípios também apresentavam condições preocupantes. Cinco localidades registraram qualidade do ar muito ruim no mesmo período:

  • Iranduba: 80,8 µg/m³;
  • Autazes: 113,7 µg/m³;
  • Urucurituba: 100,3 µg/m³;
  • Silves: 83,9 µg/m³;
  • Itapiranga: 94,7 µg/m³.

Em contrapartida, Careiro da Várzea, Manaquiri, Careiro e Maués apresentavam condições moderadas. Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e Novo Airão registravam índices considerados bons.

Manaus mantém qualidade do ar moderada

Na capital amazonense, o cenário era menos crítico em comparação com municípios do interior.

Por volta das 7h, todos os sensores monitorados indicavam qualidade do ar moderada. As concentrações de partículas suspensas variavam entre 27,1 e 37 µg/m³.

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Itacoatiara, parte da fumaça que encobre o município também é proveniente de incêndios em outras localidades do Baixo Amazonas e do oeste do Pará.

A secretaria explica ainda que os ventos transportam a fumaça produzida pelas queimadas em Itacoatiara para outras cidades, com possibilidade de alcançar Manaus.

As partículas finas presentes na fumaça representam um risco à saúde porque podem penetrar profundamente no sistema respiratório.

Força-tarefa federal já extinguiu 338 incêndios

O combate às queimadas no Amazonas também conta com uma operação do governo federal. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a atuação conjunta de aeronaves, brigadistas e forças de segurança contribuiu para extinguir 338 incêndios florestais no estado desde o início da operação.

A estrutura mobilizada reúne 17 aeronaves, sendo seis aviões Air Tractor, dois KC-390, oito helicópteros e uma aeronave Caravan. A operação também dispõe de nove embarcações e 66 veículos.

O efetivo inclui 474 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de 54 militares da Força Aérea Brasileira (FAB) e 41 integrantes da Força Nacional.

O governo federal também custeia as diárias de 116 bombeiros do Amazonas.

A mobilização concentra esforços principalmente em áreas isoladas, onde as dificuldades de deslocamento tornam o enfrentamento dos incêndios mais complicado.

Fonte: G1