Amazonas
Amazonas mobiliza mais de mil agentes e 11 aeronaves contra queimadas em 35 municípios
Operação reúne forças estaduais e federais, enquanto Manaus registra qualidade do ar muito ruim e 315 atendimentos de saúde relacionados ao período de 1º a 14 de outubro.

Mais de mil agentes de segurança, bombeiros e fiscalização ambiental estão mobilizados para enfrentar os incêndios florestais em 35 municípios do Amazonas. A operação conta ainda com 11 aeronaves, entre aviões e helicópteros, em uma força-tarefa que reúne estruturas do Governo do Estado e do Governo Federal.
A dimensão do trabalho aparece nos números acumulados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Entre 1º de junho e 16 de outubro, a corporação atuou no combate a 22.557 focos de incêndio, sendo 4.598 na capital e 17.959 no interior. No mesmo intervalo, foram contabilizadas 3.710 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.
Os municípios de Apuí, Humaitá, Autazes, Boca do Acre, Itacoatiara, Careiro da Várzea e Itapiranga concentram os maiores focos identificados no momento. Além do CBMAM, participam das ações a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, entre outros órgãos estaduais e federais.
Fiscalização ambiental e estrutura de combate
O trabalho também envolve punições por infrações ambientais. Até 15 de outubro, o Ipaam havia emitido 610 autos de infração, aplicado mais de R$ 167 milhões em multas e realizado 421 embargos, que abrangem uma área de 65.281,12 hectares.
A fiscalização utiliza dados de monitoramento, drones e viaturas com acesso à internet via Starlink. Entre as iniciativas em andamento estão as operações Alerta Fogo, Região Metropolitana e Tamoiotatá, esta última com ações em 13 municípios.
A estrutura de combate também foi ampliada. O CBMAM passou de 11 para 25 municípios com bases permanentes entre maio de 2025 e maio de 2026. O efetivo da corporação chegou a 1.651 militares em 2026, contra 692 em 2019.
Outra frente é o Programa Floresta em Pé, que contratou 153 brigadistas para atuar na prevenção, no monitoramento e no combate aos incêndios. Já a operação Amazonas+Verde alcança 33 municípios com ações de enfrentamento aos focos de incêndio. Entre junho e agosto, as atividades de educação ambiental chegaram a mais de 43 mil pessoas.
Fumaça afeta qualidade do ar e visibilidade em Manaus
Enquanto as equipes atuam no interior, a população da capital também enfrenta os efeitos da fumaça. Na manhã deste sábado (17), sensores registraram concentrações de material particulado fino (MP2,5) entre 44 e 101 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em Manaus. A classificação municipal permaneceu em nível Muito Ruim, considerando as maiores concentrações observadas, principalmente nas regiões centro-sul, leste e sudeste.
A fumaça também prejudicou a visibilidade nos aeroportos da capital durante a madrugada e o início da manhã. Às 5h, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes registrava visibilidade de 2 mil metros, enquanto no Aeroporto Ponta Pelada o índice chegou a 4 mil metros.
Na área da saúde, a rede estadual contabilizou 315 atendimentos em Manaus entre 1º e 14 de outubro. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) acompanham os indicadores dos 62 municípios, incluindo internações, disponibilidade de leitos e estoques de medicamentos, insumos e oxigênio medicinal.
A orientação é evitar exposição prolongada à fumaça, reduzir exercícios físicos ao ar livre nos períodos de maior concentração de poluentes, manter os ambientes fechados e aumentar a ingestão de água. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares precisam de atenção redobrada.
Monitoramento aéreo e medidas de emergência
Além do combate direto às chamas, a Secretaria de Segurança Pública utiliza drones com câmeras térmicas e aeronaves para acompanhar áreas atingidas. Um dos equipamentos empregados é o Vant Harpia, capaz de permanecer até 12 horas em voo, atingir velocidade entre 65 e 135 quilômetros por hora e operar a até cinco quilômetros de altitude.
As imagens e coordenadas são transmitidas às equipes em solo para auxiliar na identificação de incêndios, no acompanhamento de áreas de difícil acesso e em investigações de possíveis incêndios criminosos.
O estado também adotou medidas administrativas para enfrentar a situação. O Decreto nº 55.751, publicado em 10 de outubro, declarou situação de emergência por 180 dias em 36 municípios afetados por incêndios florestais.
Já o Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro, estabeleceu por 120 dias o período proibitivo para o uso do fogo em todo o Amazonas, respeitadas as exceções previstas na legislação.
Como comunicar incêndios e buscar atendimento
A população pode acionar os serviços responsáveis pelos seguintes canais:
- 193: Corpo de Bombeiros, para comunicar incêndios.
- (92) 98557-9454: WhatsApp do Ipaam, para denúncias de queimadas ilegais e infrações ambientais.
- 199: Defesa Civil.
- 192: Samu, para situações de urgência médica.
Em casos leves relacionados à saúde, também é possível buscar atendimento pelo aplicativo Saúde AM Digital ou na Unidade Básica de Saúde de referência.
