Manaus
Praia da Ponta Negra pode ser interditada devido a mudanças drásticas no Rio Negro

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) entregou um laudo extraordinário na sexta-feira, 29, ao Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) sobre um levantamento batimétrico realizado na praia artificial da Ponta Negra, localizada na Zona Oeste de Manaus. O laudo revela um aumento brusco na profundidade em toda a extensão do aterramento, tanto no sentido longitudinal quanto transversal.
De acordo com o relatório, com o rio Negro na cota atual de 15,88 metros, a distância entre a margem e a faixa de segurança para os banhistas é de apenas cerca de 15 metros, o que é considerado muito restrito pelos especialistas.
O pesquisador em geociências, Andre Martinelli, explicou que esse fenômeno está relacionado ao El Niño, que prolonga a intensidade da seca, além de ser influenciado pelo aquecimento do Atlântico Norte. Ele destacou que o nível do rio Negro em Manaus caiu rapidamente, reduzindo mais de 7 metros de coluna d’água em apenas 20 dias. Quanto mais baixa a cota do rio, menor é a distância das depressões abruptas em relação aos usuários da praia.
O documento também ressalta que as estações monitoradas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) no médio e alto curso do rio Negro (São Gabriel da Cachoeira, Tapuruquara, Barcelos e Moura – AM) estão registrando níveis muito abaixo da média para o período e não há indícios de reversão no curto prazo. Portanto, o relatório recomenda o fechamento temporário da praia por questões de segurança.
O prefeito David Almeida anunciou que a interdição da praia na Ponta Negra ocorrerá até a próxima segunda-feira, 2 de outubro, visando a segurança dos banhistas. Ele explicou que está aguardando o último laudo para confirmar a informação definitiva à população. Atualmente, a cota do rio Negro em Manaus está em 15,88 metros, de acordo com a medição do Porto de Manaus.
Desde o início do mês, devido à vazante extrema no rio Negro, o Corpo de Bombeiros, responsável pelo balneário, vem realizando medições e avaliações para garantir as melhores condições de banho e segurança dos usuários, verificando a presença de buracos ou depressões causadas pelo movimento natural de subida e descida das águas do rio. A interdição da praia ocorrerá sempre que laudos e relatórios comprovarem que a praia não está segura para banhistas, como ocorreu em 2015, quando o rio Negro ficou abaixo da cota de 16 metros e a praia foi interditada por medida de segurança.
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