Brasil
Gastos do Judiciário atingem recorde de R$ 164,6 bilhões em 2025, aponta CNJ
Relatório Justiça em Números mostra que gastos com pessoal somaram R$ 148,5 bilhões, enquanto a arrecadação do Judiciário ficou em R$ 68,2 bilhões.

O Poder Judiciário brasileiro fechou 2025 com R$ 164,6 bilhões em despesas, o maior valor registrado na série histórica do relatório Justiça em Números. Desse total, R$ 148,5 bilhões foram destinados a pessoal e encargos, equivalentes a 90,2% de todos os gastos do setor no ano. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Pessoal concentra a maior parte das despesas
A estrutura de gastos mostra forte concentração nos custos relacionados a magistrados, servidores, benefícios e demais despesas de pessoal. As chamadas verbas indenizatórias somaram R$ 9,8 bilhões em 2025, incluindo itens como diárias, passagens, auxílio-moradia e outros benefícios.
O relatório também registra R$ 4,4 bilhões destinados à área de informática, que engloba equipamentos, sistemas e ferramentas de tecnologia e inteligência artificial.
Arrecadação ficou abaixo da metade das despesas
Apesar do volume de recursos movimentado, a arrecadação vinculada à atividade do Judiciário chegou a R$ 68,2 bilhões, valor equivalente a 41% das despesas registradas no ano. Segundo o CNJ, esse montante reúne receitas como custas, taxas, emolumentos, execuções fiscais e impostos relacionados a inventários.
Em relação ao ano anterior, a arrecadação caiu 8,9%, segundo os dados apresentados no material. O CNJ ressalta que o Judiciário não tem como finalidade gerar arrecadação, mas assegurar a prestação jurisdicional e a garantia de direitos.
Peso nas contas públicas
O custo total do Poder Judiciário representou 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 2,7% das despesas somadas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Os números fazem parte do Justiça em Números 2026, publicação que reúne estatísticas oficiais sobre a estrutura, as despesas, a produtividade e a movimentação processual dos tribunais brasileiros.
O levantamento também aponta que 2025 foi marcado por elevada demanda judicial: 40,9 milhões de novos processos chegaram ao Judiciário, enquanto aproximadamente 45,2 milhões foram baixados. O estoque terminou o ano em 75,5 milhões de processos em tramitação.
