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Estreito de Ormuz segue bloqueado pelo Irã e expõe fragilidade de trégua no Oriente Médio
Regime iraniano mantém restrição naval mesmo após acordo com os EUA, enquanto ataques de Israel contra o Hezbollah elevam tensão na região

O Estreito de Ormuz permanece fechado nesta quarta-feira (8/4), mesmo após o anúncio de uma trégua entre Estados Unidos e Irã. O regime iraniano decidiu manter o bloqueio naval, alegando retaliação aos novos ataques de Israel contra o grupo terrorista Hezbollah, no Líbano.
De acordo com a Associated Press, bombardeios israelenses em Beirute atingiram áreas civis e deixaram ao menos 112 mortos, o que abalou o acordo de cessar-fogo firmado poucas horas antes.
A Casa Branca reagiu à decisão iraniana e cobrou a reabertura imediata da passagem marítima. O presidente Donald Trump afirmou que a liberação do estreito é condição indispensável para a manutenção da trégua de 14 dias. Em resposta, o Conselho de Segurança Nacional do Irã declarou que o controle da via permanece sob autoridade iraniana, contrariando a posição americana.
Ameaças e incertezas no tráfego marítimo
O cenário na região segue confuso e tenso. A mídia estatal iraniana informou que uma embarcação conseguiu atravessar o estreito com autorização oficial, mas fontes do setor naval ouvidas pela Reuters contestam essa versão e afirmam que o tráfego segue severamente restrito.
Relatos indicam que a Marinha iraniana ameaça atacar qualquer navio que tente cruzar a área sem autorização expressa do regime. Dados de monitoramento por satélite mostram que apenas três embarcações — dois navios gregos e um cargueiro chinês — conseguiram passar desde terça-feira (7).
O governo iraniano sinalizou que pode rever o bloqueio até sexta-feira (10), desde que haja avanço nas negociações diplomáticas. Até lá, a circulação dependerá de acordos específicos com países aliados, como Índia e Iraque.
Impactos globais e alerta no mercado de energia
O fechamento do estreito, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo, já provoca efeitos diretos no comércio internacional de energia. A empresa alemã Hapag-Lloyd alertou que a normalização do fluxo marítimo pode levar até seis semanas após o fim da crise.
Enquanto isso, o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, classificou o cessar-fogo como “frágil”, destacando que a continuidade das ações militares compromete qualquer avanço diplomático. Mesmo com apelos internacionais por contenção, ataques com mísseis e drones continuam sendo registrados na região do Golfo.
O descumprimento do acordo logo no primeiro dia reforça o clima de instabilidade e mantém forças militares em alerta, elevando o risco de uma escalada ainda maior no conflito.