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Apple remove apps que permitia usuários monitorarem agentes de imigração nos EUA
Ferramenta utilizada por mais de 1 milhão de pessoas é acusada de colocar agentes federais em risco; desenvolvedor promete recorrer

A Apple retirou da App Store, nesta sexta-feira (3), o aplicativo ICEBlock — plataforma colaborativa que permitia aos usuários informar e monitorar a presença de agentes da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A medida ocorre após críticas de autoridades federais, que classificaram o app como uma ameaça à segurança dos agentes.
Disponível exclusivamente para iPhones e com mais de 1 milhão de usuários ativos no último mês, o ICEBlock era usado principalmente por imigrantes e ativistas para se antecipar às operações-surpresa intensificadas durante a gestão Trump. Mesmo fora da loja oficial, quem já havia feito o download ainda pode utilizá-lo.
Desenvolvedor acusa censura
O criador do aplicativo contestou a decisão da Apple em publicação nas redes sociais:
“Recebemos uma mensagem da equipe de revisão informando que o #ICEBlock foi removido por ‘conteúdo censurável’. Acreditamos que isso seja resultado de pressão da Administração Trump. Vamos recorrer!”
Apple se defende
Em comunicado, a Apple afirmou que seguiu orientações de órgãos de segurança:
“A App Store foi criada para ser um ambiente confiável. Após recebermos informações das autoridades sobre os riscos associados ao ICEBlock, optamos por removê-lo, assim como outros aplicativos semelhantes.”
Clima de tensão entre governo e ativistas
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, já havia criticado publicamente o desenvolvedor do ICEBlock, Joshua Aaron:
“Estamos observando e ele deveria tomar cuidado, porque isso não se enquadra como liberdade de expressão protegida”, declarou em julho.
Segundo autoridades federais, um homem que abriu fogo contra uma instalação do ICE em Dallas teria pesquisado por aplicativos que rastreavam agentes antes do ataque — episódio citado como argumento para pressionar empresas de tecnologia.
Além do ICEBlock, ativistas têm recorrido a plataformas como Waze e Google Maps para alertar comunidades sobre operações migratórias, utilizando termos genéricos como “condições de gelo” para burlar sistemas de moderação. Até agora, however, essas empresas não foram alvo de ações oficiais.