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Nível do rio Negro segue em queda e cenário atual é de vazante controlada, diz boletim

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O nível do rio Negro em Manaus registrou recuo médio de 2 centímetros por dia, alcançando a marca de 28,73 metros na terça-feira (22). Mesmo com a redução, o valor ainda é classificado como “inundação severa”, conforme o 29º Boletim Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Segundo o boletim, os principais rios da região apresentam um comportamento de descida gradual. Em Tabatinga, o rio Solimões baixou 13 cm/dia, enquanto em Fonte Boa, a redução foi de 5 cm/dia. Já o rio Madeira, em Porto Velho, teve queda acentuada de 23 cm/dia. O rio Amazonas, nos municípios de Itacoatiara, Parintins e Óbidos, desceu entre 2 e 3 cm por dia.

“O padrão observado é o esperado para esta época do ano: uma vazante mais lenta em áreas como Manaus e no baixo curso dos rios, e uma diminuição mais intensa nas regiões mais altas da bacia”, detalha o relatório.

Chuvas acima da média em 2025

Paralelamente à vazante, o volume de chuvas tem se mostrado superior neste ano. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que, em junho, Manaus acumulou 199,2 mm de chuva — número bem acima dos 125,8 mm registrados no mesmo período de 2024. Já em julho, o volume chegou a 71,2 mm, superando também os 59,4 mm do ano anterior.

Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, o meteorologista Dr. Leonardo Vergasta, do Laboratório de Climatologia da UEA (LABCLIM), explicou que os fatores climáticos são determinantes para essas mudanças. “A diferença nos volumes de chuva entre os dois anos está associada às condições meteorológicas que prevaleciam em 2024. Naquele momento, ainda sentíamos os efeitos do El Niño, que mesmo encerrado oficialmente em maio, continuava impactando negativamente as chuvas na região”, afirmou.

Além disso, o especialista destacou o papel do oceano Atlântico. “O aquecimento atípico do Atlântico Norte também teve influência, dificultando a formação de nuvens e precipitações, o que agravou a seca naquele período”, completou.

La Niña altera dinâmica das chuvas em 2025

Este ano, o cenário climático mudou. De acordo com Vergasta, a instalação de condições associadas ao fenômeno La Niña favoreceu o retorno das chuvas. “Desde o início de 2025, observamos o resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, indicando a transição para La Niña, que geralmente impulsiona as chuvas na bacia Amazônica”, disse.

Em Manaus, o aumento das precipitações em junho também está relacionado ao resfriamento do Atlântico Equatorial, o que modificou o fluxo de umidade. “Esse resfriamento desviou o fluxo úmido que costuma avançar pelo Pará em direção ao noroeste, concentrando mais chuvas na região central da Amazônia”, explicou.

Expectativa para agosto e meses seguintes

Conforme o boletim do SGB, a previsão para os próximos meses é de precipitações abaixo da média na região central da bacia, o que pode acelerar o ritmo da vazante. A análise também indica que o Atlântico Tropical apresenta áreas de aquecimento anormal, o que tende a deslocar a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para o norte, reduzindo a nebulosidade sobre o estado do Amazonas.

O meteorologista Leonardo Vergasta acredita que o comportamento climático será mais equilibrado. “Para agosto, esperamos uma condição mais estável. Já em julho, o volume de chuvas superou a média histórica, e a tendência é de manutenção desse padrão. Em comparação com agosto de 2024, que teve apenas 17 mm de chuva, a expectativa para este ano é de volumes próximos à média climatológica”, afirmou.

Risco de secas extremas é baixo este ano

Vergasta ressalta que ainda não é possível afirmar se há uma mudança definitiva nos padrões climáticos da Amazônia. “As variações recentes estão ligadas a fatores de curto prazo, como o término do El Niño, o avanço da La Niña e o aquecimento do Atlântico. Esses elementos explicam os comportamentos pontuais, mas não representam uma mudança permanente”, pondera.

Apesar disso, o pesquisador alerta para mudanças observadas em prazos mais longos. “Temos notado um aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes. Há também uma tendência de mais chuvas na região noroeste da bacia, enquanto o sul da Amazônia vem enfrentando uma estação seca mais prolongada, com redução progressiva no volume de precipitação”, explicou.

Para o restante de 2025, o cenário é menos preocupante do que nos anos anteriores. “Com base nos dados atuais, não há sinais de uma seca extrema como as registradas em 2023 e 2024. A tendência é de que o nível dos rios permaneça dentro dos padrões normais para o período seco”, finalizou.