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Garantido encerra Festival com emoção, rituais e homenagem ao legado familiar

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História e cultura ganham voz na apresentação com toadas e alegorias regionais

Foto: Reprodução / Rede Social

O Boi Garantido emocionou o público ao valorizar a tradição transmitida de geração em geração. No centro da arena, Piçanã teve sua despedida consagrada com aplausos e gritos da galera encarnada, ao passar o bastão para seu filho, Denison Piçanã, que assume agora como o novo tripa do boi. “Ele será eternamente lembrado”, declarou o amo do boi, João Paulo Faria, conduzindo Piçanã para um momento de carinho junto ao público.

Com um espetáculo que exalta sua história e raízes, o Garantido iniciou sua apresentação com a contagem tradicional e, logo depois, a execução da toada Anunciei Boi na Cidade.

Na voz potente de David Assayag, o público se comoveu enquanto o conjunto de alegorias narrava a trajetória do bumba meu boi e do boi-bumbá brasileiro. A apresentação destacou os bois típicos do Nordeste, resgatando a origem de um boi de pano criado por mãos nordestinas, indígenas e negras.

Jeveny Mendonça, em seu primeiro ano na arena, evoluiu com energia ao som da toada É Pressão. Representando uma borboleta, a estreante conduziu com garra o pavilhão do Garantido, interagindo com o público de maneira vibrante.

A Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira emergiu da alegoria Artesãs Indígenas, que representa a figura típica regional deste ano. Já a sinhazinha da fazenda foi apresentada a partir do mais simbólico elemento do boi vermelho: o coração. Valentina Coimbra encantou ao desfilar com um vestido ricamente trabalhado, remetendo às festas juninas e à devoção a São João, figura central na tradição do boi.

João Paulo Faria, amo do Garantido, voltou à arena exaltando o compromisso com a história do boi como uma promessa feita a São João. Em um momento histórico, o compositor Chico da Silva, autor da icônica toada Vermelho, esteve presente, enquanto David Assayag fez o Bumbódromo vibrar ao som da canção.

Entre os destaques mitológicos da noite, o boi apresentou a Deusa das Águas, entidade guardiã dos rios, lagos e igarapés da Amazônia. De forma deslumbrante, a rainha do folclore, Lívia Christina, surgiu no alto da alegoria, trajando um figurino brilhante com referências à fauna e à cultura regional.

Estreando como rainha, Lívia arrancou aplausos da galera encarnada ao protagonizar uma performance surpreendente, “transformando-se em peixe” e mergulhando no carinho do público com entusiasmo.

Em um momento de irreverência, o amo do boi retornou à arena brincando com o boi contrário: “Até o amo contrário torce pro boi do povão”, declarou, segurando uma imagem de Caetano Medeiros vestido de vermelho e abraçado ao Garantido.

Outro momento marcante da noite foi o ritual Basesé, com Adriano Paketá em cena enquanto a cênica e o corpo de dança encenavam a força da cura dos pajés. Em seguida, ao som de O-Baiá, o pajé levou a arena à exaltação. Para encerrar a apresentação, o boi se despediu ao som da sua toada-tema: Boi do Povo, Boi do Povão, reforçando seu laço inquebrantável com o povo da Baixa do São José.