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Caprichoso encerra primeira noite do Festival de Parintins com espetáculo tecnológico e mensagem de resistência indígena

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Momentos emocionantes marcaram a apresentação, com rituais, toadas acústicas e mensagens de resistência

Foto: Reprodução

Na madrugada deste sábado (28), o Boi Caprichoso encerrou a primeira noite do Festival Folclórico de Parintins 2025 com o subtema “Amyipagana: retomada pelas lutas”, parte integrante do enredo central “É tempo de retomada”. A apresentação destacou o uso de tecnologias em suas alegorias, como olhos de fera em LED e figurinos indígenas com elementos em neon, especialmente na exibição da lenda “Yurupari: da demonização à retomada indígena”.

A abertura do espetáculo foi aérea: o apresentador Edmundo Oran, o levantador de toadas Patrick Araújo e o próprio boi surgiram pelos céus da arena. Em tom provocativo, o amo do boi, Caetano Medeiros, dirigiu versos desafiadores à galera do Boi Garantido, chamando-os de “cansados” e exibindo um cartaz com a nota “9,6” ao se referir ao rival.

A lenda de Yurupari ganhou vida com uma encenação impactante de um indígena desmontado que foi reconstruído em cena. A cunhã-poranga Marciele Albuquerque apareceu de dentro de uma representação da lua, posicionada acima da entidade lendária.

O item Toada Letra e Música (Item 11) foi defendido por Patrick Araújo com a composição “Amazônia, nossa luta em poesia”. Já na Figura Típica Regional, o boi apresentou o segmento “Majés, as senhoras da cura”, onde a rainha do folclore, Cleise Simas, interpretou uma majé que abençoava um bebê em um ritual de proteção espiritual.

Um dos momentos mais comoventes da noite foi a versão acústica da toada “Rei do Quilombo”, interpretada por Patrick Araújo, arrancando aplausos emocionados da galera azulada.

Durante o ato “Mothokari”, grupos indígenas apresentaram coreografias com trajes que mudavam de cor conforme a iluminação da arena. A porta-estandarte Marcela Marialva surgiu de uma alegoria em forma de onça-sol. Em um dos pontos altos da noite, a liderança indígena Yakui Tupinambá levou ao centro da arena o Manto Sagrado Tupinambá do século XXI, utilizado no ritual “Ritual Tupinambá: a retomada da verdade originária”. No mesmo momento, o pajé Erick Beltrão conclamava os povos à retomada de suas terras ancestrais.

A apresentação do Caprichoso teve duração de 2 horas e 29 minutos, encerrando com força, emoção e uma potente mensagem de resistência e valorização das culturas originárias.