Amazonas
Caprichoso emociona na segunda noite com lenda de curandeiro amazônico e exaltação à ancestralidade negra e indígena
Espetáculo indígena encerra a noite com o ritual “Musudi Munduruku” e entrada triunfal do Pajé Erick Beltrão

Na segunda noite de apresentações do Festival de Parintins, o Boi Caprichoso levou ao Bumbódromo um espetáculo marcado por emoção, ancestralidade e efeitos visuais impressionantes. O ponto alto foi a representação da “Lenda Amazônica – Sacaca Merandolino”, que retratou a história do lendário curandeiro capaz de se transformar em serpente nas águas para curar e proteger sua comunidade. A lenda ganhou vida na arena por meio de alegorias vibrantes e cheias de movimento.
Um dos momentos mais comoventes da noite aconteceu quando a Rainha do Folclore, Cleise Simas, foi erguida aos céus pela figura mística de Merandolino, encantando o público. A alegoria foi desenvolvida pelo artista Alex Salvador, que tem 16 anos de dedicação ao Galpão do Boi Caprichoso.
Com o subtema “Kizomba – Retomada Pela Tradição”, a apresentação celebrou a herança afro-amazônica e reafirmou o compromisso do Boi Negro de Parintins com a valorização das raízes africanas na cultura regional. A performance denunciou o apagamento histórico da população negra na Amazônia, ao mesmo tempo em que exaltou os quilombos, as memórias ancestrais e a resistência cultural.
O Caprichoso fez sua entrada triunfal ao centro de uma estrela giratória, instalada sobre um módulo aéreo. A Figura Típica Regional homenageou os “Marandoeiros e Marandoeiras da Amazônia”, enquanto o apresentador Edmundo Oran anunciava o item 15. Nesse momento, representações do boto-cor-de-rosa cruzaram o espaço diante da torcida azulada, em meio a efeitos luminosos que realçavam os olhos de animais como jacarés, cobras, onças e camaleões. A alegoria foi assinada pelos artistas Márcio Gonçalves e Nildo Costa.
A Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, surgiu personificando uma Vitória-Régia, encantando com sua dança e beleza. Já o protagonista da noite, o Boi Caprichoso, emergiu da estrutura da Figura Típica, sendo recebido com entusiasmo pelo público.
Do alto, a Porta-Estandarte Marcela Marialva desceu em um módulo aéreo, emoldurada por fogos de artifício que iluminaram o Bumbódromo. Ela evoluiu com elegância, empunhando o pavilhão azul, em um dos pontos altos da noite. Na sequência, a cantora Paula Gomes entoou um canto indígena, enquanto Patrick Araújo deu continuidade ao espetáculo com a canção “Kizomba – A Festa da Retomada”, escolhida como representante da toada da noite.
A Celebração Indígena emocionou a plateia com uma apresentação coreografada que reuniu representantes de diferentes povos originários, incluindo a participação do Pajé Erick Beltrão. A Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque, surgiu de dentro de uma das alegorias, resgatando os rituais e a força dos povos indígenas.
Fechando com intensidade, o Ritual Indígena “Musudi Munduruku – A Retomada dos Espíritos” surpreendeu com pirotecnia, fumaça e recursos mecânicos. Os espíritos levitantes e a entrada triunfal do Pajé Erick Beltrão deram o tom mágico ao encerramento. O ritual homenageou o povo Munduruku, do Vale do Rio Tapajós, destacando sua força ancestral e a luta pela recuperação das urnas sagradas, conhecidas como Itigãs. A alegoria foi concebida por Kennedy Prata e equipe. A Cunhã-Poranga participou da cena final ao lado de mulheres Munduruku, elevando ainda mais a emoção do encerramento.