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Após impeachment, ex-presidente do Paraguai é transferido para unidade militar
Santiago Peña deixou a prisão domiciliar em meio a protestos em Assunção. A transferência foi justificada por razões de segurança, após confrontos entre manifestantes e policiais.

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi retirado de sua residência, em Assunção, na madrugada deste sábado (7), e transferido para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar na capital do país. A mudança ocorreu após confrontos entre policiais e manifestantes que exigiam sua transferência para uma prisão em regime fechado.
Peña estava em prisão domiciliar por determinação do Ministério Público, no contexto das investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. Segundo informações do jornal paraguaio ABC Color, a transferência foi realizada por volta da meia-noite, sob a justificativa de preservar a segurança do ex-presidente.
Pelo menos quatro caminhonetes participaram do deslocamento, que deixou a residência de Peña, no bairro de Mbocayaty. Durante a saída do comboio, um policial ficou ferido em meio à confusão com manifestantes. O episódio está sendo investigado.
Impeachment provocou mudança no comando do país
A transferência ocorreu poucas horas depois de o Senado paraguaio aprovar o impeachment de Peña, com 44 votos favoráveis e uma abstenção.
O processo também havia avançado na Câmara dos Deputados na quinta-feira (5). Na ocasião, o então presidente anunciou sua renúncia, mas o Legislativo rejeitou o pedido e decidiu dar continuidade ao procedimento de destituição.
Com a decisão do Senado, Peña deixou oficialmente a Presidência do Paraguai, cargo que ocupava desde 2023.
Crise do Ueno Bank está no centro das investigações
A queda política do ex-presidente está relacionada ao escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que teve suas atividades encerradas em 3 de novembro, após o Banco Central do Paraguai iniciar um processo de liquidação.
A medida foi adotada depois da identificação de problemas nos índices de solvência da instituição, associados a empréstimos concedidos a empresas.
O banco possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social paraguaio.
Peña foi acionista do grupo empresarial proprietário da instituição até março de 2025. Sua ligação com o conglomerado passou a ser questionada durante as apurações sobre possíveis conflitos de interesses e irregularidades financeiras.
Entre as acusações relacionadas ao caso estão suspeitas de manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários. As responsabilidades ainda dependem da investigação e da apuração pelas autoridades competentes.
