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Brasil deixa plenário da ONU durante discurso de Netanyahu

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Delegação brasileira acompanhou retirada de dezenas de representantes durante fala do primeiro-ministro israelense, em mais um episódio de tensão diplomática envolvendo o governo Lula

Foto: Reprodução / Instagram PM Israel

A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta quinta-feira (24), no momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou seu discurso. A retirada ocorreu junto com a saída de representantes de dezenas de países e colocou novamente a posição diplomática do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no centro das atenções.

Brasil acompanha retirada durante discurso

Integrantes da missão brasileira estavam no plenário quando Netanyahu subiu à tribuna. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também estava em Nova York, mas não acompanhou o pronunciamento. Ele participava de um evento de apoio à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), organizado por Brasil, Jordânia e Espanha.

A saída dos representantes esvaziou uma parte significativa do salão. O episódio ocorreu de maneira semelhante ao registrado durante o discurso de Netanyahu na ONU no ano passado.

O primeiro-ministro israelense foi recebido com vaias e manifestações. Diante da movimentação, o presidente da sessão, Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, precisou pedir ordem no plenário.

Netanyahu respondeu aos representantes que deixavam o local e afirmou que aqueles que ainda permanecessem poderiam sair. O episódio expôs novamente a divisão diplomática em torno da guerra entre Israel e o Hamas.

Retirada ocorre após críticas de Lula

A participação brasileira no episódio acontece apenas dois dias depois de Lula utilizar seu discurso na Assembleia-Geral para fazer críticas diretas ao governo israelense.

Ao abordar a guerra em Gaza, o presidente afirmou que “gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças”.

A afirmação, porém, é contestada por Israel. O governo israelense rejeita a acusação de genocídio e sustenta que suas operações militares têm como alvo o Hamas, grupo responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023, que deram início à atual guerra.

A sequência dos acontecimentos — primeiro o discurso de Lula, depois a retirada da delegação brasileira durante a fala de Netanyahu — evidencia a posição adotada pelo governo brasileiro no conflito.

Netanyahu defende Israel e critica seus adversários

Durante seu pronunciamento, Netanyahu afirmou que Israel continuará perseguindo seus objetivos relacionados à segurança do país. Ao defender as ações israelenses, declarou que o país vencerá porque, segundo suas palavras, “não temos outra escolha”.

O primeiro-ministro também abordou a violência praticada por colonos israelenses na Cisjordânia. Disse que não toleraria ações de justiceiros e afirmou que Israel é “um país de leis”.

Na mesma fala, Netanyahu criticou a cobertura da imprensa internacional e afirmou que ataques sofridos por colonos israelenses recebem atenção insuficiente.

O primeiro-ministro ainda direcionou críticas ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusando o governo turco de abrigar integrantes do Hamas, prender jornalistas e opositores e manter a ocupação do norte de Chipre. Erdogan e o governo turco contestam as acusações feitas por Israel.

Mahmoud Abbas fala por vídeo

A passagem de Netanyahu pela ONU ocorreu no mesmo dia do pronunciamento do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Abbas participou por vídeo depois que os Estados Unidos negaram vistos a ele e a integrantes da delegação palestina. O governo norte-americano justificou a decisão com acusações de que a Autoridade Palestina não teria cumprido compromissos de reforma e teria adotado iniciativas consideradas prejudiciais às perspectivas de paz.

Abbas rejeitou as alegações apresentadas por Washington.

Mandado do TPI segue sendo contestado

Outro elemento presente no contexto da visita de Netanyahu é o mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em 2024. A decisão está relacionada a acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza.

Israel rejeita as acusações e contesta a jurisdição do tribunal. Os Estados Unidos, por sua vez, não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI, e não reconhecem a jurisdição da Corte sobre cidadãos israelenses.

Em Nova York, a presença de Netanyahu também provocou manifestações nas proximidades da sede da ONU. O prefeito da cidade, Zohran Mamdani, havia declarado anteriormente que buscaria a prisão do primeiro-ministro caso ele visitasse a cidade, mas posteriormente reconheceu que não possui autoridade jurídica para executar o mandado do TPI.

Brasil assume posição no conflito

A retirada da delegação brasileira ocorre em um momento de forte posicionamento do governo Lula sobre a guerra em Gaza. Ao deixar o plenário durante o discurso de Netanyahu, o Brasil se somou a outras delegações que também abandonaram o local.

O episódio, portanto, não ficou restrito à disputa entre israelenses e palestinos. A participação brasileira acrescentou uma dimensão diplomática ao caso e reforçou a posição já expressa pelo governo brasileiro nos últimos dias.

Enquanto Netanyahu utilizou a tribuna da ONU para defender as ações de Israel e apresentar sua versão sobre o conflito, a delegação brasileira optou por não permanecer no plenário durante o pronunciamento.