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EUA descartam impacto imediato sobre Pix após classificação de PCC e CV como organizações terroristas

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Porta-voz do Departamento de Estado afirma que medida mira financiadores das facções e nega qualquer possibilidade de intervenção militar

Foto: Divulgação

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras não terá como alvo inicial o sistema de pagamentos Pix. A informação foi confirmada pela porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado norte-americano, Amanda Roberson, em entrevista divulgada nesta semana.

Segundo a representante do governo dos EUA, a nova classificação entra agora na fase de implementação e tem como principal foco indivíduos, empresas e instituições que ofereçam apoio material ou financeiro às organizações criminosas. Ela destacou que eventuais responsabilizações dependerão da comprovação de intenção ou envolvimento direto com as atividades das facções.

Amanda afirmou ainda que o sistema financeiro brasileiro possui estrutura e mecanismos considerados avançados para atender às exigências legais internacionais e cooperar com medidas voltadas ao combate ao crime organizado.

A porta-voz também rejeitou especulações sobre qualquer possibilidade de ação militar decorrente da decisão norte-americana. De acordo com ela, a legislação que trata da designação de organizações terroristas prevê apenas sanções administrativas, financeiras e migratórias, como bloqueio de recursos, restrições econômicas e limitações para emissão de vistos.

Durante a entrevista, Roberson reforçou a necessidade de cooperação entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento de organizações criminosas transnacionais. Ela ressaltou que os dois países mantêm uma relação histórica de parceria em áreas como comércio, tecnologia e segurança, defendendo o fortalecimento da colaboração bilateral.

A representante do Departamento de Estado revelou ainda que atividades atribuídas ao PCC e ao Comando Vermelho foram identificadas em aproximadamente um quarto dos estados norte-americanos. As duas facções passaram a integrar uma lista de 17 grupos do hemisfério ocidental classificados pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras.

Amanda também negou que a medida tenha sido influenciada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente nos Estados Unidos e se reuniu com o presidente Donald Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O encontro ocorreu poucos dias antes do anúncio oficial da classificação das facções.

Questionada sobre as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à decisão norte-americana, a porta-voz limitou-se a afirmar que cada chefe de Estado tem liberdade para expressar suas próprias opiniões sobre o tema.