Internacional
Oposição venezuelana pressiona por eleições imediatas e propõe nova estrutura institucional
Com Nicolás Maduro fora do país e prazo constitucional esgotado, coalizão cobra garantias democráticas, reforma do sistema eleitoral e fim da repressão

A oposição da Venezuela intensificou a pressão por mudanças políticas ao apresentar, neste domingo (12), um plano voltado à restauração da democracia no país. Liderada pela Plataforma Unitária Democrática, que reúne diversos partidos, a iniciativa defende a realização de eleições com garantias efetivas e a substituição completa das autoridades eleitorais.
A mobilização ocorre após o término do período constitucional de 90 dias de ausência na presidência, considerado pelos opositores como suficiente para caracterizar um vazio de poder. O movimento reuniu cerca de 40 mil participantes, entre manifestações presenciais e virtuais.
O cenário político se agravou desde a prisão de Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos no início do ano sob acusações de narcotráfico, enquanto aguarda julgamento. Desde então, a presidência interina está sob comando de Delcy Rodríguez, cuja permanência no cargo além do prazo constitucional tem sido alvo de questionamentos.
Diante disso, a oposição sustenta que há uma “ausência absoluta” na chefia do Executivo e exige a convocação imediata de eleições presidenciais, conforme previsto na Constituição venezuelana.
Plano de transição e exigências
Durante o anúncio, o porta-voz Roberto Enríquez destacou que o projeto busca responder à demanda popular por estabilidade política e econômica. Segundo ele, a recuperação do país depende diretamente da realização de eleições transparentes e reconhecidas internacionalmente.
Entre as principais reivindicações estão a libertação de presos políticos, o fim das perseguições a opositores e o desmonte de estruturas de repressão, além da garantia de retorno seguro para lideranças exiladas. Essas condições são apontadas como essenciais para assegurar um processo eleitoral legítimo.
A líder opositora María Corina Machado também manifestou apoio à iniciativa e afirmou que pretende retornar ao país em breve. Em sua avaliação, há um consenso majoritário na sociedade venezuelana pela retomada das liberdades democráticas.
Denúncias de repressão persistem
Apesar da mobilização e da pressão internacional, episódios de repressão continuam sendo registrados. No estado de Táchira, a prisão do advogado Edwin Sambrano, apontada por organizações de direitos humanos como motivada politicamente, reforçou as preocupações sobre a segurança de ativistas e opositores.
O ato deste domingo marcou a maior articulação pública da oposição desde 2014, período em que protestos foram duramente reprimidos e diversas lideranças passaram à clandestinidade ou ao exílio. Agora, além de eleições, os partidos também reivindicam a restituição de seus direitos políticos e símbolos eleitorais, considerados fundamentais para a reconstrução do sistema democrático no país.