Internacional
Venezuela libera parte de presos políticos, mas mantém centenas atrás das grades mesmo após anistia

Pelo menos 46 dos mais de 170 presos ligados ao chamado caso “PDVSA Operário” foram libertados na quinta-feira (16) na Venezuela, evidenciando o avanço limitado da lei de anistia sancionada pelo governo interino de Delcy Rodríguez.
Familiares dos detentos se concentraram na entrada da prisão de Yare, a cerca de 75 quilômetros de Caracas, aguardando a saída dos presos, segundo informações da agência AFP.
A legislação, aprovada sob pressão internacional — especialmente dos Estados Unidos —, previa a libertação de centenas de presos políticos após a queda do regime de Nicolás Maduro no início de janeiro. Apesar disso, o processo tem sido marcado por lentidão e exclusões.
Anistia incompleta e exclusões controversas
Mesmo com as liberações, cerca de 500 pessoas ainda permanecem presas por motivos políticos, de acordo com organizações independentes como o Foro Penal .
Entre os grupos excluídos está o “PDVSA Operário”, que reúne mais de 170 detidos — incluindo trabalhadores da estatal petrolífera, policiais e até pessoas sem vínculo direto com a empresa. Eles foram acusados de crimes como sabotagem, corrupção e contrabando.
Sem acesso automático à anistia, esses presos dependem de negociações paralelas conduzidas por uma comissão do Parlamento venezuelano.
“Estamos aguardando a libertação de muitos companheiros trabalhadores da PDVSA”, afirmou Gilda Suárez, que viajou mais de 500 quilômetros para visitar o irmão preso há nove meses.
Um dos libertados, sob anonimato, classificou o processo como uma “armação” e criticou a demora na aplicação da lei.
Ritmo de libertações desacelera
Desde a aprovação da anistia, em março, o governo venezuelano afirma ter libertado centenas de pessoas e concedido liberdade plena a milhares. No entanto, parte desses beneficiados ainda enfrenta restrições judiciais, como proibição de sair do país e obrigação de comparecimento periódico à Justiça.
Organizações de direitos humanos denunciam que o ritmo das solturas diminuiu nas últimas semanas, enquanto o governo segue sem divulgar listas oficiais de presos, dificultando a transparência do processo.
Relatórios independentes apontam que, embora mais de 600 presos tenham sido libertados desde janeiro, o número de detidos ainda é elevado, o que levanta dúvidas sobre o real alcance das medidas anunciadas .
Pressão internacional e desconfiança
A anistia foi apresentada como parte de um movimento de reaproximação com o Ocidente e tentativa de estabilização política após a queda do chavismo. Ainda assim, entidades internacionais e familiares denunciam que a medida está longe de representar uma ruptura com práticas autoritárias.
Na prática, o cenário atual revela um país onde a libertação de presos políticos ocorre de forma seletiva, lenta e sob forte pressão externa — mantendo centenas de venezuelanos ainda privados de liberdade.