Política
Tentando ganhar fôlego político, Marcelo Ramos ataca Maria do Carmo e é desmoralizado por Chico Preto
O embate entre o ex-vereador Chico Preto (PL) e o deputado federal Marcelo Ramos (PT), ganhou novos contornos após a polêmica envolvendo a visita da primeira-dama, Janja da Silva, a Manaus. Ao tentar defender o governo Lula, Ramos acabou levando uma invertida considerada desmoralizante, depois de criticar a professora Maria do Carmo (PL), pré-candidata ao Governo do Amazonas, que havia questionado a presença de Janja na capital, cobrando atenção do Planalto para as demandas regionais.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ramos exaltou políticas federais da área educacional e mirou diretamente em Maria do Carmo, dona da Fametro. O parlamentar argumentou que programas como o Fies e o Prouni, criados durante os governos petistas, sustentam instituições privadas de ensino e, por isso, deveriam ser reconhecidos pela pré-candidata. “Que é responsabilidade do governo federal é, por exemplo, o Fies e o Prouni, que sustentam a instituição da qual a senhora é dona. Isso sim é responsabilidade do governo federal, e a senhora deveria agradecer, porque quem criou esses dois programas foi o presidente Lula”, disse Ramos.
“Marcelo Ramos, tu gastou três minutos falando besteira…”. Chico Preto
A resposta de Chico Preto foi rápida, direta e vista como um verdadeiro “pito” público em Ramos. O ex-vereador rebateu o argumento com ironia e clareza, destacando que tais programas não são um presente do governo, mas sim pagos pelo contribuinte. “Marcelo Ramos, tu gastou três minutos falando besteira. E em menos de quinze segundos eu te lembro. Fies e Prouni vêm do bolso do povo. O que vem do PT mesmo é mensalão e petrolão”, afirmou. A colocação de Chico recolocou no debate dois dos maiores escândalos de corrupção que marcaram a legenda petista: o mensalão e o esquema revelado pela Operação Lava Jato.
Para observadores, a escolha de Ramos em direcionar críticas a Maria do Carmo pode não ter sido aleatória. O movimento pareceu calculado para tentar surfar na polarização política, posicionando-se contra uma representante do PL – partido do ex-presidente Jair Bolsonaro – e, assim, buscar espaço entre os setores antibolsonaristas. Uma estratégia, talvez, para tentar se destacar dentro do próprio PT, onde disputa visibilidade com nomes mais consolidados e de maior expressão política.
O problema para Ramos é que sua trajetória recente nas urnas não inspira confiança. Ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados (2021-2022), o petista não conseguiu converter essa vitrine nacional em votos. Nas eleições municipais de 2024, obteve apenas 6,03% (66.528 votos) na disputa pela Prefeitura de Manaus, ficando fora do segundo turno. Já em 2022, ao tentar a reeleição como deputado federal, alcançou apenas 3,73% dos votos (74.387), resultado insuficiente para retornar à Câmara.
As sucessivas derrotas têm alimentado a percepção de que Ramos perdeu força junto ao eleitorado amazonense. Críticos afirmam que, apesar da visibilidade nacional, o político não conseguiu construir uma base sólida em Manaus, onde muitos eleitores hoje o veem como um nome em queda. Nas ruas e nas redes sociais, não faltam ironias, com comentários de que “Marcelo Ramos não ganha mais nem para síndico”.
Diante desse histórico, a invertida de Chico Preto parece ter evidenciado ainda mais a fragilidade política de Ramos no Amazonas. Ao tentar rebater uma adversária ligada ao bolsonarismo, o suposto candidato ao Senado acabou abrindo espaço para ser lembrado de que programas federais não apagam a memória dos escândalos que abalaram o PT. Mais do que isso, o episódio deixou claro que a estratégia de se projetar às custas de confrontos pode estar custando caro à sua já desgastada imagem eleitoral.
Veja o vídeo neste link: https://www.instagram.com/reel/DNoUl5eBZpb
*A redação mantém espaço disponível, caso Marcelo Ramos deseje se manifestar sobre o episódio.