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Tribunal de Justiça do Amazonas nega pedido de soltura de Ademar Cardoso

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Foto: Reprodução / Rede Social

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) negou, nesta sexta-feira (23), o pedido de soltura de Ademar Cardoso, 29, irmão de Djidja Cardoso. A decisão foi proferida pelo juiz Celso Souza de Paula, da 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas da Comarca de Manaus, que rejeitou o pedido da defesa para revogar a prisão preventiva de Ademar.

Segundo o magistrado, “as provas da existência do crime e os indícios de autoria ou participação estão devidamente demonstrados nesta persecução penal, razão pela qual mantenho a prisão preventiva de Ademar Cardoso.”

Ademar, sua mãe Cleusimar Cardoso, e a gerente do salão de beleza da família, Verônica da Costa Seixas, foram presos no dia 30 de maio deste ano. O trio, junto com outras oito pessoas, foi indiciado por 14 crimes, incluindo tráfico de drogas, estupro de vulnerável e tortura com resultado morte.

Relembre o caso

De acordo com o delegado Cícero Túlio, titular do 1° DIP, apurou-se a existência de uma seita religiosa fundada pela família Cardoso, com o fim de induzir funcionários de uma rede de salões de beleza ao uso das substâncias Ketamina e Potenay de uso veterinário. A mãe de Djidja, Cleusimar Cardoso, e o imão, Ademar Cardoso, foram indiciados por tortura, homicídio, tráfico de drogas e outros 12 crimes.

Durante as investigações, foi possível identificar que Cleusimar, Ademar e Djidja, com o auxílio do namorado da ex-sinhazinha, Bruno Rodrigues, e dos funcionários Claudiele Santos da Silva, 33; Verônica da Costa Seixas, 30; e Marlisson Vasconcelos Dantas, operavam o esquema criminoso promovendo a realização de cultos religiosos com a utilização dos entorpecentes.

Conforme a autoridade policial, o grupo criminoso pretendia montar uma clínica veterinária para facilitar o acesso e compra dos medicamentos de uso controlado, bem como fundar uma comunidade para manter os trabalhos doutrinários da seita.

A família também era ajudada por Hatus Silveira, apontado como elo dos autores com os fornecedores das substâncias, principalmente José Máximo, Sávio e Roberleno, administradores dos empreendimentos comerciais que forneciam os medicamentos.

Segundo a autoridade policial,  Djidja Cardoso passou a ser vítima de tortura praticada por sua própria mãe, Cleusimar. Ela veio a óbito no dia 28 de maio deste ano, por depressão cardiorrespiratória em razão das torturas sucessivamente praticadas, inclusive registradas por vídeos feitos pela própria agressora.

Ainda entre os indiciados está um homem identificado como Emicley, que teria auxiliado na dissimulação de provas durante as buscas realizadas em uma das clínicas veterinárias onde trabalhava, na primeira fase da Operação Mandrágora.

A polícia representou nesta semana pela conversão da prisão temporária em preventiva de Bruno Rodrigues, ex-namorado de Djidja, com base nas provas coletadas em seu aparelho celular que indicam a participação do indiciado também na gestão da seita criminosa.

Os autores foram indiciados pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, perigo para a vida ou saúde de outrem, falsificação, adulteração ou corrupção de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais, aborto provocado sem consentimento da vítima, estupro de vulnerável, charlatanismo, curandeirismo, sequestro e carcere privado, constrangimento ilegal, favorecimento pessoal, favorecimento real, exercicio ilegal da medicina e tortura com resultado morte.

A Operação Mandrágora, apurou a existência de uma seita religiosa responsável por fornecer e distribuir a substância ketamina, além de incentivar e promover o uso da droga.

Prisões

O ex-namorado de Djidja Cardoso, Bruno Roberto da Silva Lima, e o coach Hatus Silveira, foram presos no dia 7 de junho, em uma nova fase da investigação que apura a morte da ex-sinhazinha. Além deles, dois funcionários da clínica veterinária suspeita de fornecer cetamina à família Cardoso foram presos. As prisões ocorreram por inconsistências nos depoimentos.

Cleusimar e Ademar, mãe e irmão de Djidja foram presos, no dia 30 de maio, na avenida Jurunas, bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus. Com eles, também foi presa Verônica da Costa Seixas apontada como gerente do salão de beleza em que Djidja. Mais tarde, a maquiadora do local, Claudiele Santos da Silva, 34, se entregou à polícia, mas na tarde de quinta-feira (6), ela deixou a cadeia para cumprir prisão domiciliar. A decisão se deu devido ao fato dela  ter uma criança menor de 12 anos, que necessita de cuidados maternos integralmente.

Além da maquiadora, Marlisson Vasconcelos Dantas, cabeleireiro do salão, também foi preso.

Um dos funcionários da clínica veterinária  apontada como fornecedora de cetamina para a família de Djidja Cardoso, teve a prisão convertida para domiciliar na tarde desta quarta-feira (18), após decisão da Justiça do Amazonas.