Polícia
PF deflagra operação contra grupo suspeito de usar aeroporto de Manaus para traficar drogas e lavar dinheiro
Segunda fase da Operação Gatekeeper cumpriu mandados em Manaus e Coari, além de determinar bloqueio de até R$ 31 milhões em bens e ativos financeiros.

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (29), a segunda fase da Operação Gatekeeper, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, como ponto de partida para o tráfico interestadual de drogas por via aérea. As apurações também identificaram um esquema de lavagem de dinheiro para ocultar os recursos obtidos com a atividade ilegal.
Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão nos municípios de Manaus e Coari, no Amazonas. Por determinação da Justiça Federal, também foram sequestrados oito veículos e bloqueados ativos financeiros dos investigados até o limite de R$ 31 milhões.
A decisão judicial incluiu ainda o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático de 15 pessoas físicas e jurídicas, ampliando o alcance das investigações sobre a estrutura financeira do grupo.
Investigação começou após apreensão de drogas em voo
O caso começou a ser investigado em dezembro de 2024, quando um passageiro foi preso em flagrante transportando aproximadamente 18 quilos de maconha em um voo que partiu de Manaus.
A partir das diligências, a Polícia Federal identificou pelo menos 13 remessas de entorpecentes, que somaram cerca de 150 quilos de maconha.
Na primeira fase da Operação Gatekeeper, realizada em março de 2025, quatro integrantes do grupo foram presos e indiciados. Entre eles estava um servidor da própria Polícia Federal, posteriormente condenado pelos fatos investigados.
PF identifica estrutura de transporte e lavagem de dinheiro
Com o avanço das apurações, os investigadores chegaram a outros suspeitos de participação no esquema, incluindo pessoas responsáveis pelo transporte das drogas e pela organização da logística de compra de passagens aéreas.
A investigação também identificou um núcleo financeiro que teria movimentado milhões de reais por meio de contas bancárias de terceiros, empresas de fachada e plataformas digitais. Segundo a Polícia Federal, essas operações eram utilizadas para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
Outro ponto identificado pelos investigadores foi a continuidade das atividades criminosas mesmo depois da primeira fase da operação, em março de 2025.
Investigados podem responder por vários crimes
Os envolvidos poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações também apontam circunstâncias que podem resultar em aumento de pena, relacionadas ao transporte interestadual de entorpecentes e ao envolvimento de agente público.
A segunda fase da Operação Gatekeeper busca aprofundar a identificação dos integrantes da organização e esclarecer a movimentação financeira ligada ao esquema criminoso.
