Polícia
Líder de núcleo político ligado ao crime organizado no AM foge durante operação da PC
Investigado é apontado como articulador de esquema que envolvia servidores públicos e uso de igrejas como camuflagem; esposa foi presa e polícia segue nas buscas.

O principal articulador do chamado “núcleo político” de uma organização criminosa investigada no Amazonas segue foragido após a deflagração da operação “Erga Omnes”, realizada nesta sexta-feira (20) pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
Identificado como Alan Kleber, o investigado é apontado como liderança do grupo que, segundo a polícia, mantinha conexões com diferentes esferas do poder público. De acordo com as apurações, ele se apresentava como evangélico e frequentava uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus. Em um episódio anterior, conforme registro policial, teria utilizado o templo para esconder drogas.
A fuga ocorreu por volta das 3h da madrugada, no endereço onde ele estava, em São Paulo. A informação foi confirmada pelo delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A esposa de Alan foi presa durante a ação.
As investigações indicam que o grupo utilizava igrejas evangélicas como estratégia de camuflagem para dificultar o trabalho das autoridades. Outro alvo da operação, segundo a polícia, também residia em uma igreja.
O inquérito aponta ainda a participação de servidores e ex-servidores públicos municipais, além de pessoas com vínculos no Legislativo, no Executivo e até no Judiciário. Entre os investigados também estão integrantes das forças de segurança, incluindo uma policial civil e uma policial militar.
Entre os presos está Ana Bela Cardoso de Freitas, integrante da comissão de licitação da Prefeitura de Manaus. Até 2023, ela ocupava o cargo de chefe de gabinete pessoal do prefeito David Almeida.
No braço operacional do esquema, a polícia afirma que empresas de fachada do setor de logística eram utilizadas para viabilizar o transporte de drogas. Conforme a apuração, os entorpecentes saíam de Tabatinga, na região de fronteira, passavam por negociações envolvendo empresas do Amazonas e do Pará e, posteriormente, eram distribuídos para outros estados do país.
A operação segue em andamento, e a polícia continua as diligências para localizar o foragido e aprofundar as investigações sobre o alcance da rede criminosa.