Mundo
Rússia ameaça retaliações caso UE use ativos congelados para apoiar Ucrânia
Moscou classifica proposta de aproveitar recursos russos congelados como “roubo” e promete medidas legais e extralegais contra países europeus.

A União Europeia avalia, desde 2022, novas formas de fortalecer a defesa da Ucrânia, incluindo a possível utilização de ativos russos congelados no continente. A ideia ganhou destaque nesta segunda-feira (15), provocando uma reação imediata de Moscou, que acusou o bloco de tentar se apropriar indevidamente de recursos russos e prometeu retaliações.
Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido congelaram entre US$ 300 bilhões e US$ 350 bilhões em ativos soberanos russos, a maior parte constituída por títulos mantidos em depósitos europeus. Além disso, operações financeiras com o Banco Central e o Ministério das Finanças da Rússia permanecem proibidas.
De acordo com a agência Reuters, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defende a exploração de mecanismos que permitam usar recursos de contas vinculadas a investidores russos para apoiar Kiev. Entre as opções estudadas, conforme revelou o site Politico em 14 de setembro de 2025, está a utilização de depósitos vencidos da Rússia no Banco Central Europeu para criar um “empréstimo de reparação” destinado à Ucrânia.
Em resposta, o ex-presidente Dmitry Medvedev, atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, publicou uma ameaça no Telegram também em 15 de setembro de 2025, direcionada aos países da UE. “Se isso acontecer, a Rússia perseguirá os Estados da UE, bem como os degenerados de Bruxelas e países individuais que tentarem se apropriar de nossa propriedade, até o final do século”, afirmou.
Medvedev acrescentou que Moscou recorrerá “a todas as formas possíveis” para se proteger, incluindo tribunais nacionais, internacionais e até meios “fora deles”. O Kremlin sustenta que qualquer tentativa de apreensão de ativos russos violaria o direito internacional e comprometeria a confiança global em títulos e moedas emitidos por Estados Unidos e Europa.
