Estamos nas Redes

Mundo

OMS alerta que câncer afetará 92% da população mundial e casos devem crescer até 2050

Publicado

on

Relatório aponta avanço da doença nas próximas décadas, destaca desigualdades no acesso ao tratamento e reforça que medidas de prevenção podem evitar quase 40% dos novos diagnósticos.

Foto: Shutterstock

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o câncer deverá impactar, direta ou indiretamente, cerca de 92% da população mundial nas próximas décadas. De acordo com um relatório do organismo, uma em cada cinco pessoas receberá o diagnóstico da doença ao longo da vida, enquanto milhões serão afetados por conviver com familiares ou pessoas em tratamento.

As projeções da entidade indicam um crescimento expressivo no número de novos casos. A estimativa é que os diagnósticos anuais passem de 20,6 milhões, registrados em 2024, para aproximadamente 35 milhões em 2050.

Câncer é tratado como crise global

No relatório, a OMS classifica o câncer como uma crise global que continua avançando de forma desigual em diferentes regiões do mundo.

“Enquanto algumas crises de saúde se desenvolvem rapidamente, outras avançam de forma mais lenta. Isso não as torna menos devastadoras”, destaca o documento, ao afirmar que as desigualdades persistem em todas as etapas do atendimento oncológico, desde a prevenção até o tratamento.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, reforçou que medidas como a vacinação contra o HPV e o controle do tabagismo já contribuem para reduzir novos casos. Ainda assim, ele defendeu ações mais amplas por parte dos governos.

Segundo Adhanom, é necessário adotar uma abordagem centrada nas pessoas, fortalecendo as políticas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Em publicação nas redes sociais, ele também fez um apelo para que líderes mundiais adotem medidas imediatas para enfrentar o avanço da doença.

Diferenças no acesso ao tratamento

O levantamento também evidencia a desigualdade entre países ricos e pobres no atendimento aos pacientes com câncer.

Enquanto a taxa de sobrevida de cinco anos para casos de câncer de mama ultrapassa 85% nas nações de maior renda, esse índice fica abaixo de 30% nos países mais pobres. Além disso, menos de um terço dos países oferece cobertura para tratamentos oncológicos por meio dos sistemas públicos de saúde.

Prevenção pode reduzir novos casos

A OMS afirma que quase 40% dos novos casos de câncer poderiam ser evitados com hábitos de vida mais saudáveis.

Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, a obesidade e algumas infecções. O relatório destaca ainda que o uso do tabaco, relacionado a diversos tipos de câncer, como os de pulmão, laringe, faringe e esôfago, apresentou queda global, passando de 29,4% da população em 2005 para 19,5% em 2024.

Impacto econômico

Além das consequências para a saúde, a OMS alerta para os impactos econômicos provocados pelo aumento dos casos da doença.

Segundo o relatório, cada dólar investido em ações de prevenção e controle do câncer gera retorno econômico estimado em US$ 9,50. Em contrapartida, a doença deverá representar um custo equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) global entre 2020 e 2050, principalmente devido à perda de produtividade causada por mortes prematuras e incapacidades.

Apesar dos avanços em exames e tratamentos contribuírem para conter o crescimento da mortalidade no curto prazo, a entidade ressalta que o aumento no número de sobreviventes exigirá maior capacidade dos sistemas de saúde para atender a demanda nos próximos anos.