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Míssil iraniano é abatido pela Otan ao se aproximar da Turquia; incidente não aciona cláusula de defesa coletiva
Projétil cruzou Iraque e Síria antes de ser interceptado em Hatay; aliança condena Teerã, mas EUA descartam aplicação do Artigo 5º

Pela primeira vez desde o agravamento das tensões no Oriente Médio, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) interceptou um míssil balístico iraniano que se dirigia ao espaço aéreo de um país integrante da aliança. O projétil foi destruído por sistemas de defesa aérea da Turquia, integrados ao comando da Otan, na região de Hatay, no sul do país.
De acordo com o Ministério da Defesa turco, o míssil sobrevoou o Iraque e a Síria antes de ser abatido. Destroços caíram em uma área aberta, sem registro de mortos ou feridos.
A interceptação ocorreu nas proximidades da Base Aérea de Incirlik, onde os Estados Unidos mantêm forças estacionadas. O governo turco informou que todas as medidas necessárias serão adotadas para garantir a integridade do território nacional. “Reservamos o direito de responder a quaisquer ações hostis”, declarou o ministério, em nota.
Reação da Otan e tensão diplomática
A porta-voz da Otan, Allison Hart, classificou o episódio como parte de “ataques indiscriminados” atribuídos ao Irã e afirmou que a aliança se solidariza firmemente com a Turquia.
No campo diplomático, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, entrou em contato telefônico com seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi. Segundo autoridades turcas, Fidan transmitiu uma reação enérgica ao ocorrido e alertou que ações capazes de ampliar o conflito devem ser evitadas.
A Turquia vinha, nas semanas anteriores, tentando atuar como mediadora entre Teerã e Washington, em meio à escalada de ataques coordenados contra a capital iraniana.
Artigos 4º e 5º não são acionados
Apesar da gravidade do episódio, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que não há indícios de que o caso leve ao acionamento do Artigo 5º da Otan — a cláusula de defesa coletiva que prevê resposta conjunta em caso de ataque a um país-membro.
Até o momento, o governo turco também não mencionou a possibilidade de recorrer ao Artigo 4º do tratado, mecanismo que permite consultas formais entre os aliados quando a integridade territorial ou a segurança de um membro é considerada ameaçada.
O episódio amplia a tensão regional e marca um novo capítulo no envolvimento indireto da aliança militar no conflito em curso, ainda que, por ora, sem a ativação de seus mecanismos formais de resposta coletiva.
