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Justiça espanhola avança contra esposa de Sánchez e amplia pressão sobre governo socialista
Indiciamento de Begoña Gómez por corrupção e tráfico de influência reforça crise política que atinge núcleo familiar e aliados do premiê

A Justiça da Espanha deu mais um passo em um caso que aprofunda a crise política envolvendo o governo socialista de Pedro Sánchez. O juiz Juan Carlos Peinado concluiu uma investigação de dois anos e decidiu indiciar Begoña Gómez pelos crimes de corrupção, tráfico de influência e peculato.
De acordo com a decisão, a esposa do premiê teria se beneficiado da posição do marido para obter vantagens pessoais, inclusive na gestão de uma cadeira acadêmica na Universidade Complutense de Madri. O magistrado afirma que práticas identificadas dentro do Palácio da Moncloa remetem a comportamentos incompatíveis com democracias modernas, comparando-os a “regimes absolutistas”.
Além de Gómez, também foram indiciados uma assessora e um empresário ligados ao caso. Todos negam qualquer irregularidade.
Pressão se estende à família e aliados
O avanço do processo ocorre em um momento delicado para Sánchez, com investigações atingindo diretamente seu entorno. O irmão do premiê, David Sánchez, deverá ser julgado no próximo mês sob acusação de tráfico de influência. Ele é suspeito de ter sido beneficiado com um cargo criado sob medida em um órgão local controlado por socialistas.
A crise também alcança antigos aliados políticos. O ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos responde por suposto desvio de recursos públicos na compra de equipamentos médicos durante a pandemia. A promotoria pede pena de até 24 anos de prisão no caso que envolve suspeitas de pagamento de propina.
Governo fala em perseguição
Diante do cerco judicial, Sánchez reagiu classificando as investigações como motivadas por interesses políticos. Em declarações durante viagem oficial à China, o premiê afirmou confiar nas instituições, mas colocou em dúvida a imparcialidade de parte do Judiciário espanhol.
Segundo ele, setores da oposição e da imprensa estariam utilizando denúncias para desestabilizar seu governo por meio de ataques pessoais.
A investigação teve início após denúncia da organização Manos Limpias. Os acusados têm cinco dias para apresentar recurso. Após esse prazo, a Justiça decidirá se o caso seguirá para julgamento com júri popular.