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EUA sancionam Gustavo Petro e familiares sob acusação de envolvimento com narcotráfico
Decisão amplia tensão entre Washington e Bogotá; presidente colombiano reage e diz combater o tráfico “há décadas”

Os Estados Unidos incluíram o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e parte de sua família na lista de sancionados do Escritório de Controle de Ativos Financeiros (Ofac). A medida, anunciada pelo Departamento do Tesouro na sexta-feira (24), determina o bloqueio de bens e proíbe transações financeiras com o mandatário colombiano, sua esposa Verónica Alcocer, o filho Nicolás Petro e o ministro do Interior, Armando Benedetti. A decisão foi tomada com base na Ordem Executiva 14059, que pune estrangeiros ligados ao tráfico internacional de drogas.
Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a produção de cocaína na Colômbia teria crescido de forma acelerada nos últimos anos, reforçando o fluxo da droga para o território norte-americano. Ele afirmou que o governo Trump busca se proteger frente ao avanço das organizações criminosas e responsabilizou o presidente colombiano pelo cenário.
A resposta de Petro veio por meio de uma publicação no X. O líder colombiano classificou a medida como contraditória, declarou que atua contra o narcotráfico desde sua juventude e informou que será representado pelo advogado norte-americano Dany Kovalik. Na mensagem, afirmou não recuar diante das sanções e criticou o que considera ingratidão dos Estados Unidos.
O clima entre os dois países já estava tenso. Na quinta-feira (23), durante discurso, Petro voltou a confrontar a política antidrogas de Washington. Ele questionou o uso do termo “traficantes” para se referir aos responsáveis por conduzir barcos que transportam cocaína pelo Caribe, alegando que muitos atuam por necessidade econômica e deveriam ser vistos como “trabalhadores” submetidos à pobreza.
O presidente também condenou ações recentes da Guarda Costeira dos EUA na região, acusando-a de violar resoluções da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Citou ainda o caso de um pescador de Santa Marta que teria sido recrutado ocasionalmente pelo narcotráfico devido à falta de alternativas de renda.
As declarações geraram reação imediata da oposição colombiana. A senadora María Fernanda Cabal acusou Petro de relativizar o crime organizado e de enfraquecer a responsabilidade dos envolvidos no tráfico. Segundo ela, o discurso do presidente reforça as acusações feitas por Donald Trump.
Dias antes do anúncio das sanções, o presidente dos EUA já havia declarado o encerramento de subsídios destinados à Colômbia e chamou Petro de “líder do tráfico de drogas”, alegando que o país se dedica cada vez mais à produção de entorpecentes sem que o governo colombiano tome medidas efetivas para contê-la.
A relação diplomática entre ambos os governos entra em uma das fases mais delicadas dos últimos anos, com impacto direto na cooperação contra o narcotráfico e em outros acordos estratégicos entre Bogotá e Washington.